A Captura das GIRA

Uma plataforma de bicicletas partilhadas só sobreviverá se os comportamentos abusivos /destrutivos forem reprimidos.
Está em marcha uma onda de captura das GIRA para externalizar (ou socializar?) os custos associados ao negócio das entregas.
Era bom que a CML agisse.

As próximas já virão com cadeado próprio, precisamente para permitir paragens momentâneas.

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É uma excelente questão ideológica. @MarioJAlves eu sei que não falas no café central, mas esta questão vem a propósito das nossas conversas.

Isto só acontece, i.e., uso abusivo das empresas de entregas, de paquetes e recados, porque existe uma distorção no mercado. Ou seja, o estado subsidia a utilização das GIRA. O estado não tem que subsidiar bicicletas, o estado tem de taxar os automóveis pelas suas externalidades.

Porque é que as empresas de entregas não usam as JUMP? Em qualquer caso, considerando que as GIRA estão à disposição de todos, não vejo porque motivo os profissionais-liberais das empresas de entregas não deverão poder usar as GIRA. Ao usarem as GIRA, poupam o ambiente ao não usarem, por exemplo, motociclo.

Porque motivo um profissional qualquer quando vai para o trabalho pode usar a GIRA sobre a premissa de que causa menos ruído e poluição, e um profissional-liberal de entregas não o pode? Porque está a ganhar dinheiro? E o primeiro, não está a poupar dinheiro? Entre ganhar mais ou gastar menos, é uma mera questão de sinal em contabilidade.

@MRA em qualquer caso prender a bicicleta a um poste é claramente abusivo, independentemente do ponto de vista. A não ser, que a bicicleta esteja à disposição do cliente, estando a pagar obviamente o tempo em que aí está.

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Nem a propósito, uma foto do facebook

Bloco de Citação

Eu considero que nesse caso a diferença é a bicicleta ser a ferramenta de trabalho do estafeta com o desgaste associado e o tempo prolongado de utilização, que vai muito para além do custo de levar um trabalhador ao seu posto de trabalho.
É o fim da partilha e o começo da apropriação, especialmente porque é um custo associado à função que é abusivamente distribuído por todos.
Concordo que a questão das GIRAs serem subsidiadas é um assunto onde a abordagem ideológica pode ser diversa.
Pela minha parte aceito que os sistemas de transporte colectivos e até mesmo as GIRAs possam ser subsidiados e encaro isso numa lógica de investimento no entanto não aceito que sejam capturados para lucros particulares, seria como subsidiar taxis ou tuk-tuks.

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Não, porque no fim do turno de trabalho acaba a apropriação e fica livre para o próximo. Além disso quem a usa paga o tempo em que está a usá-la.

Mas porquê? Se eu for para o trabalho de GIRA em vez do meu carro, nãp estou a poupar dinheiro? Entre ganhar ou poupar, qual é a diferença? E se eu me apropriar de uma GIRA o dia todo para passear pela cidade, já pode ser?

Mas mais uma vez isto é um reflexo patente da distorção do mercado, pelo facto do estado ter largamente subsidiado o sistema. Sempre que há subsídios, há distorções que conduzem quase sempre a esquemas.

Vamos então perseguir pessoas que já estão para lá do limiar da precariedade, muito bem… porque é desses “lucros particulares” ínfimos que falamos, as multinacionais querem lá saber.

Enquanto estão a andar de Gira, não estão a fazer barulho e fumo numa scooter, ou a investir numa rebarbadora para usar bicicletas roubadas, como também acontece.

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Tentando responder aos dois num só post.

Parece-me que é uma questão de bom senso ver a diferença entre um profissional que usa a GIRA para fazer entregas e a pessoa que o usa esporadicamente.

Limito-me a apontar a alínea V do ponto 4 dos TERMOS E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO SERVIÇO GIRA que diz o seguinte:

v) O Utilizador não pode utilizar o Serviço Gira, e o equipamento associado, para fins lucrativos , comerciais e de publicidade e para fins não permitidos, ilegais ou ofensivos da ordem pública ou dos bons costumes, nomeadamente, que prejudiquem direta ou indiretamente a EMEL e/ou os seus colaboradores.

Quando a esse ponto, concordo consigo, os estafetas da GLOVO, UBER EATS, etc. são pessoas que estão numa situação de horrível precariedade e privados de direitos elementares. No entanto a minha abordagem é distinta e não passa fazer vista grossa de um uso abusivo das GIRA (tal como explícito no regulamento) para que possam aumentar os seus parcos rendimentos.
Defendo que se deva acabar com estas falsas economias “colaborativas”. Em Espanha fizeram-no e os tribunais reconheceram os estafetas como trabalhadores dessas empresas, com os seus direitos reconhecidos no âmbito da legislação laboral (salários, baixas, férias, cobertura de acidentes laborais, etc…).
Condescender nisso não é ser amigo do estafeta explorado, é ser amigo da empresa que explora e cúmplice da sua externalização dos custos de produção.

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O facto dos termos de utilização assim o referirem não quer dizer que façam sentido, foram obviamente redigidos por socialistas, cujo pendor para a proibição é ideologicamente patológico.

Na mouche! Interessa referir que todo o racional para a subsidiação do sistema GIRA prende-se com isso mesmo, i.e., as menores externalidades que uma bicicleta provoca em relação a uma moto ou a um carro. E esse princípio ambiental e económico aplica-se mutatis mutandis na plenitude aos profissionais de entregas. Dizer que não as podem usar porque “malandros estão a ganhar dinheiro”, é mais um relfexo dos facciosismos ideológicos reinantes da esquerda e que medram no nosso país.

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Curioso, são do mesmo teor das regras deste fórum e seus moderadores !

Óh @Three, cala-te!

Refere exemplos, sff.
Andar por ai a espalhar essas bocas de forma anonima e sem fundamento nao serve para nada.

Refere exemplos para que sejam avaliados

O problema da GIRA é ainda e sempre a falta de bicicletas… sem elas, é impossível saber o verdadeiro efeito dos “abusos”.

Dados oficiais da EMEL divulgados no âmbito do concurso público para aquisição de até 1500 bicicletas de 2ª geração:

Pelo menos nas minhas rotas, não vejo muitos UberEats a fazerem entregas de Gira, e sim apenas alguns, poucos. No Saldanha, por exemplo, admito que possa fazer mais impressão.

Gira reaberta, depois de 2 dias fechada. E esta, hein?

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Sim muito curioso, especialmente porque é diametralmente oposto ao email que recebi da EMEL (nem faz ainda 2 semanas), após reclamação, em que informava que estavam atentos ao fenómeno e iriam “tomar as devidas diligências para que este tipo de utilização indevido das bicicletas GIRA deixe de acontecer”.
Medidas excepcionais para tempos excepcionais.
E eu que pensava que bicicletas partilhadas seriam uma excelente via de propagação de um vírus que permanece em superfícies por um período alargado!
Negócios primeiro!