Acidente ou sinistro?

Porque devemos parar de usar a palavra “acidente” e trocá-la por “sinistro”?
No Lisboa para Pessoas, do @mruiandre

Em 2015 também a ACA-M falava deste assunto.
Comunicado: Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada 2015: Um desastre não é um acidente

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Eu diria para adoptar o modelo Australiano, que mudou de “Acidente” para “Incidente”. Porque efectivamente, nem sempre são acidentes que acontecem, mas tambem não é nada de “Sinistro”, e “Incidente” é mais neutro no que toca a emoções e medo.

sinistro na medida que por vezes há vítimas

https://delpt.org/sinistro

acidente dá sempre a noção de “imprevisto”, quando na realidade a maioria pode ser previsível, se consideradas e adotadas medidas de segurança. Os acidentes não se choram, evitam-se

https://delpt.org/acidente

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Para mim, as palavras mais adequadas seriam EMBATE ou COLISÃO.

Incidente ou Acidente estão quase ao mesmo nível e ainda por cima são quase homófonas, o que pode levar a uma troca no passa-palavra. E mesmo em si, os significados das duas não são muitio diferentes, na medida em que, implica uma certa desresponsabilização.

Um acidente é alguém nascer com um tumor ou as cheias de 1967, que obviamente não são consequência directa de acção por seres humanos; quando há “toques” na estrada, houve CLARAMENTE intervenção do Homem, logo não são acidentes.

Lembrei-me agora que quando são vários carros seguidos, a comunicação social costuma referir CHOQUE EM CADEIA.

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Eu acho preferível usar a palavra «desastre rodoviário» como era usada há décadas atrás, nomeadamente se houver feridos ou mortos

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Também concordo com o utilizar desastre ou sinistro e eu já o fazia (as seguradoras idem… porque será?).
Acidente tem logo um ponto de vista que isenta responsabilidades ainda sequer antes de haver investigações/verificações/averiguações.
E creio que servem para todos (?) os tipos, como colisões, despistes, atropelamentos, etc.

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concordo que sim, física e tecnicamente são as palavras mais correctas. Mas repara que quando há vítimas podes e deves usar a palavra sinistro. Não vás confundir com colisão entre duas partículas, que são por norma completamente inofensivas.

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Muito obrigado pela partilha, Inês!

Enquanto isto, no Brasil:


« s termos técnicos usados na preparação e execução de pesquisas e na elaboração de relatórios estatísticos e operacionais relativos a incidentes de trânsito foram redefinidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Nessa mudança, a norma NBR 10697/2018 foi revista e corrige a expressão “acidente de trânsito”, substituída por “sinistro de trânsito”, além de suprimir o entendimento de sinistro “não premeditado”.

A adoção do termo sinistro e a requalificação dessa norma são bandeiras da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), que celebrou a mudança como uma vitória importante para as ações e políticas voltadas à preservação da vida no trânsito.

“Há um bom tempo a Abramet vem debatendo isso, junto a outras entidades. Nosso Congresso, antigamente chamado de Congresso Brasileiro de Medicina e Acidente de Tráfego, passou a ser chamado de Congresso Brasileiro de Medicina de Tráfego a partir de 2017. Isso foi justamente para discutir e destacar que os acidentes de trânsito, na sua maioria, não são acidentais, do acaso, mas sim provocados. São passíveis de prevenção”, explica Antonio Meira Júnior, presidente da entidade.

Segundo o diretor da Abramet José Montal o termo acidente traz a conotação de algo imprevisível e incontrolável, sem nenhum nexo de causalidade, o que contraria o conhecimento acumulado sobre a matéria. “A Medicina do Tráfego foi gerada nesse contexto, o que leva à consideração de que insistir com o uso daquele termo depõe contra a essência desta especialidade médica. A ABNT demonstrou sensibilidade e respeito à ciência, dando uma contribuição muito importante para a redução da violência no trânsito”, acrescentou.

Mais de 90% dos acidentes de trânsito registrados no Brasil têm como causa o fator humano, destaca o diretor científico da Abramet, Flavio Adura: “Os dados mostram que não acontecem por acaso, por isso o termo acidente deve ser evitado. Conhecemos as causas e a maioria é passível de prevenção, como obedecer às normas de trânsito e álcool zero para uma dirigibilidade segura”, explica.

Fonte @portalmobilize

@abrametoficial

@abnt_oficial»

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Quando é que a Mubi emite um comunicado à comunicação social nesse sentido?

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Concordo, seria muito importante! Consegues começar um draft @Aonio_Lourenco ?

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Olá Inês, agradeço o repto mas sinceramente o meu tempo livre escasseia, lamento mas não posso. Já tenho a minha quota de serviço público cumprida :wink:

Já? Mas que idade é que tu tens? :smiley:
Okok, obrigada.

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A quantidade abissal de horas que já dediquei a voluntariado ae fossem pagas a 2 euros à hora, já tinha a casa paga :slight_smile:

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Muito obrigado por este post. Ajudou-me a manter simples uma mensagem que enviei aos jornais locais em protesto pela forma como noticiaram uma colisão fatal aqui nas Caldas da Rainha. Quanto ao comunicado, se bem percebo, sugerem reforçar (presumo que este terá sido enviado a todos os meios de comunicação social) o envio do comunicado da ACA-M em 2015 com um novo texto. Acredito em manter o discurso simples (os jornalistas não têm muito tempo para ler), farei um esboço, depois envio.

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Também li essa notícia e achei terrivel. Ficaram a lamentar mais os danos psicológicas da pessoa que ia de jipe que a morte do utilizador de bicicleta

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A história continua e cada vez me faz mais confusão.

o carro em que seguia se ter despistado contra uma habitação no bairro residencial

veículo onde a actriz seguia circulava a alta velocidade no momento em que saiu da estrada e colidiu com a residência

o carro de Anne Heche, que seguia sozinha a bordo, embateu numa garagem de um complexo de apartamentos e só depois na habitação

A culpa é do carro que fez tudo mal. A parte em que ela o ia a conduzir não interessa. Assim não vamos lá.

Ainda há bocado estava a ler um artigo que fala especificamente sobre “shifting blame” Bike Helmet Safety | Cars to Blame in Bike Accidents

Studies show that the simple act of finding someone to blame in an accident makes people less likely to see systemic problems or seek systemic changes.

When the story blamed human error, subjects were more intent on punishment and less likely to question the built environment or seek investigation of organizations behind the accident. No matter the accident, blame took the place of prevention.

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Uma chatice, aconteceu, iam na estrada, e sem ninguém saber como surgiu um acidente.

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