Carros verdes são como prostitutos virgens: simplesmente não existem!


(Miguel Maia) #21

é isso mesmo

a praga que
em menos de cem anos
transformou as cidades no nojo inabitável que são hoje


(Manuel Reis Jorge) #22

Hum …nao diria com palavras tao duras.
Mas concordo. Sobretudo vejo o desperdicio enorme que nos traz no quotidiano, a perda de qualidade de vida, a deshumanizacao. Mas sejamos optimistas: a revolucao esta a caminho!


(Three) #23

Deveria viver numa cidade em 1917 para saber o que é realmente um nojo. Aconselho-o a informar-se melhor antes de proferir asneiras infundadas. Quanto aos acidentes, são causados por erro humano sendo residuais as causas mecânicas. Muitos condutores não têm competência e capacidade para possuir uma carta de condução, nem mesmo para bicicleta. Quanto ao peso de 1 tonelada, crie uma tecnologia capaz de o transportar a si, mais carga, mais o sistema de propulsão que pese menos, é fácil exigir mas contribuições não existem. Finalmente os carros, como os frigoríficos ou os LCDs são produtos cuja aquisição é opcional, excepto quando o empregador planta a empresa no meio do deserto para reduzir custos e a única forma de lá chegar é de automóvel. O problema surge quando as cidades ficam no meio e não existem transportes públicos de atravessamento das cidades. E não, a bicicleta pouco vai resolver, não existem soluções milagrosas, mas um mix de soluções múltiplas que têm de ser combinadas de forma inteligente.

Agora hipotéticamente elimine todos os automóveis e meça as consequências. Começa pela sobrevivência da própria codade e seus habitantes, os fornecimentos de bens alimentares, medicamentos, serviços de urgência. A maioria dos empregados será incapaz de chegar ao emprego na cidade porque não é qualquer um que consegue pedalar 50 km por dia, incluindo bebés e crianças pequenas.

Sim, o automóvel é uma grande invenção mas não tem culpa que não saibam utilizar e que não dotem as cidades de transportes de massa eficientes. Tudo o que é shopping center, hipermercado, parque de lazer está construído para o automóvel. Não concordo com isto. Movimentos pendulares da periferia para Lisboa de automóvel são um desperdício monumental de energia, recursos e tempo. O problema é que primeiro fecham avenidas, faixas e só depois analisam o aumento de horários, a expansão da ferrovia e os conflitos com monopólios rodoviários

O orçamento de estado suporta-se fortemente na indústria automóvel e CML limita-se a atirar mais autocarros para as avenidas para resolver o problema dos transportes públicos enquanto vai arrancando os últimos carris de eléctricos que foram sobrevivendo desde o início do século XX.


(José Miguel Ramos Modesto) #24

@Three, eu acho que não entendeu a crítica que é dada ao automóvel.

Não se trata de criar uma tecnologia alternativa capaz de nos transportar a nós mais carga… os 370 mil carros que entram em Lisboa todos os dias, que carga e que pessoas é que levam? Maior parte dos carros levam 1 pessoa e 0 carga!
O mal dos carros no centro das cidades é a restrição da liberdade de movimentos de pessoas na rua. O ambiente ruidoso e stressante, é o terem de se atravessar autênticas auto-estradas urbanas, os passeios praças e largos serem minúsculos para que sejam locais onde as pessoas estejam lá ou se desloquem por lá com conforto e tranquilidade. Ou o congestionamento sistemático da cidade. Qualquer pessoa que precise de se deslocar numa emergência e o faça de carro por ser uma emergência, ou um autocarro, uma ambulância, um camião dos bombeiros, apanha as artérias da cidade totalmente obstruídas. Construímos cidades pensando na forma mais rápida de as trazer de carro de fora para dentro, e mais rápido ainda de dentro para fora, desconsiderando por completo em função da qualidade de vida nela, a qualidade do espaço público.

Isto não tem nada a ver com eliminar-se todos os automóveis… mais ninguém falou nisso que não você. Esta é mais uma das coisas, entre muitas, onde Portugal tem um atraso de vários anos em relação à generalidade dos outros países europeus. O que muitos portugueses ainda vêem com estranheza, a generalidade dos europeus já vê com naturalidade.


(Miguel Maia) #25

nem é preciso inventar


(Miguel Maia) #26

não é de camelo?


(Three) #27

Veja o Tagus Park por exemplo para quem vive a Norte de Lisboa


(Three) #28

Se a grande Lisboa tivesse uma rede de transportes equivalente a Helsínquia por exemplo veria que muitos deixariam alegremente o carro. E sim, em Helsínquia não houve problema em duplicar percursos com Trams, Autocarros e metropolitano e el alguns locais com comboio. O mesmo se pode dizer de Dusseldorf, Munique e tantas outras cidades


(José Miguel Ramos Modesto) #29

Ahh, então afinal investiu-se muito no automóvel e muito pouco no transporte público… é precisamente isso que andamos a dizer.

Mesmo assim, há muita gente que vive em zonas bastante bem servidas de transportes públicos, e continuam a usar o carro. Conheço muitos.


(Mário Alex) #30

No fim, a discussão é sempre sobre o mesmo, mudança e abertura de mentalidades.


(Manuel Reis Jorge) #31

Sim discussão, troca de ideias. Mas cuidado com os fundamentalismos.
Por exemplo nao gosto do título deste post: é um bocado à “Correio da Manhã”, politicamente incorrecto.


(Aónio Eliphis) #32

Essa é das maiores falácias que pode existir. Imaginas uma determinada indústria no mundo matar 1,3 milhões de pessoas por ano em acidentes de trabalho, e os industriais desculparem-se dizendo que a maioria é erro humano dos trabalhadores? Imaginas construir-se pontes pedonais sem vedação e depois caso haja acidentes, dizer-se que a ponte é sólida e que o erro é humano? Os “erros humanos” são sempre avaliados caso-a-caso, de forma singular, mas quando analisamos “the big picture” percebemos claramente que a questão é de paradigma e ultrapassa em muito o erro humano. O erro é sistémico! O carro tomou proporções epidemiológicas, e tal é consensual na grande maioria dos epidemiologistas.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e1/Road-way_vs._railway_safety.png[quote=“drmj100, post:31, topic:3855”]
Por exemplo nao gosto do título deste post: é um bocado à “Correio da Manhã”, politicamente incorrecto.
[/quote]

O título é provocador sem ser ofensivo![quote=“Three, post:28, topic:3855”]
Se a grande Lisboa tivesse uma rede de transportes equivalente a Helsínquia por exemplo veria que muitos deixariam alegremente o carro.
[/quote]

A velha estória do ovo e da galinha. Pois, mas o estado mais não fez nos últimos anos que investir em rodovia e desinvestir em qualquer meio transporte que não fosse o automóvel, basta comparar o binómio rodovia vs. ferrovia.


(Manuel Reis Jorge) #33

Puxa, fiquei com medo de andar de mota. 520 vezes mais de risco que o avião…
Vou continuar com a duas rodas mas…sem motor, so com pedais :wink:


(Aónio Eliphis) #34

em fatalidades por pax-km sim. E mesmo com obrigatoriedade de capacete. Por isso é que é muito importante analisar os grandes números, pois retiram a gordura subjetiva do debate baseado na perceção.


(Three) #35

Não existe história do ovo e da galinha. Obras em ferrovia incluem a via e também as composições. Na rodovia é apenas a via. Os automóveis são pagos pelos utilizadores e para deleite da máquina fiscal todo o sector automóvel constitui 10% de toda a receita fiscal nacional, por isso alguém acha que algum governo vai introduzir medidas que reduzam essa receita?
Se é verdade que existe muito comodismo também é verdade que poucos são os que têm abundância de transportes públicos à disposição. A oferta deve ser antecipada. Não se pode esperar que existam pessoas e empresas para justificar a criação de ferrovia. Tal como no passado, a ferrovia deve funcionar como aglutinador de povoações e empresas e não contrário. E como se sabe apenas o estado tem capacidade para criar nova ferrovia. A rodovia é a solução fácil para tudo mas com graves consequências a longo prazo. O exemplo da linha de Cascais não é único, com excepção de alguns eixos, a ferrovia está a cair literalmente de podre em todo o país.

A questão das ciclovias é pura cosmética política.


(Three) #36

Com uma média de 10Km/h já teria desistido há muito tempo. Isso torna o automóvel completamente inútil.


(José Miguel Ramos Modesto) #37

Lool o problema é que ao Estado dá mais despesa que receita! :joy:


(Manuel Reis Jorge) #38

Nestas contas deve estar esquecido alguns custos do automóvel: poluiçao e o custo das respectivas doenças cardio respiratorias, acidentes e invalidez, manutençao das vias, perda de criaçao de riqueza devido aos engarrafamentos (estimado a 1.2% do PIB nos EUA) .
Nada é linear e simples.


(Pedro Sequeira) #39

uma coisa “simples” que faltou ai nos contras é que investir em carros é tirar $$ do país visto que não temos combustíveis nem marcas nossas


(Paulo Andrade) #40

Discordo do gráfico pois não o acho rigoroso nomeadamente porque apresenta uma perspetiva redutora a nível da poluição sonora e, sobretudo, atmosférica. Acho mesmo muito duvidoso tal tipo de gráfico e mesmo tendo-o por base é notório que se a electricidade for de origem renovável a poluição é muito menor… :frowning: Além do mais o título é machista e misógino.