Custo TOTAL do automóvel para as famílias

O português médio trabalha metade do ano para pagar o seu carro!
Ou seja, aufere em média 711€ líquidos mensais (dados do INE) e gasta no seu carro, cerca de 370€ por mês. Trabalha seis meses por ano apenas para o carro.

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Questionam-me como obtenho estas contas, partilho aqui com todos

Há duas formas de analisar os custos do automóvel

  1. analisar o automóvel como uma despesa individual
  2. analisar o automóvel como uma despesa familiar

O autocustos.pt foca-se essencialmente no ponto 1, mas as contas não são difíceis de fazer para o ponto 2.

O português médio é aquele cujo estilo de vida obedece à média do país em todas as grandezas mensuráveis. Aufere 711€ líquidos por mês, tem uma família com 2,6 pessoas das quais apenas ele trabalha e as outras 1,6 pessoas da família não, estando 0,9 aposentadas que auferem 400€ por mês de pensão, 0,1 desempregada sem qualquer abono e outra 0,1 desempregada com subsídio de desemprego de cerca de 500€ mensais; sendo que cerca de 0,5 são menores (as pessoas não se cortam, é uma abstração estatística).

Essa família de 2,6 pessoas tem 1,2 carros (n.º de automóveis, não veículos em geral dividido por população vezes o número de pessoas por família, sendo 450 mil/10.5 milhões*2.6), e cada um desses carros tem custos médios de 370€ por mês.

Resumindo, a família média de 2,6 pessoas é constituída aproximadamente por:

  • 1 trabalhador ativo que aufere 711€
  • 0,9 aposentados que auferem 400€
  • 0,1 desempregados que aufere 500€
  • 0,1 desempregados sem qualquer abono
  • 0.5 menores sem rendimentos
  • a família tem à sua disposição 1,2 carros com custos individuais de 370€ mensais

Esta família tem rendimentos mensais de 1x711€ + 0.9x400€ + 0.1x500€ = 1120€ e gasta com o carro 1.2x370€=445€. Esta família precisa de trabalhar assim 4 meses e 20 dias (445/1120*12) para suster o(s) seu(s) automóvel(eis).

Mais de um terço dos rendimentos da família, vão para o automóvel

Qualquer dúvida digam, tentarei esclarecer

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Nao se pode extrapolar que todos os carros impliquem um custo dessa ordem.
Como é natural, há muitas famílias sem carro (era interessante saber quantas). Ora, sabendo isso, podemos dizer que há muitas famílias com mais do que 2 carros.

Eu, por exemplo, tenho 3 e o mais usado neste momento faz 5.000 kms por ano. Um deles é um clássico e nao faz 1.000km por ano. Nesse clássico, a desvalorizacao é muito baixa e o seguro na ordem dos 50€. Um dos carros tem 14 anos, outro 10 e o clássico tem 23 anos.
Eu nao gasto 3x370€ por mes, como é lógico. Eu sei que estatísticas sao estatísticas, mas é preciso ter em consideracao a amostra e a extrapolacao.

Ou seja, para aquelas famílias que tem mais do que 2 ou 3 carros, o custo de utilizacao (nao o de desvalorizacao, claro) é bastante diferente de carro para carro.

Quantos carros sao 1o e único carro, em PT? Quantos sao 2o carro, 3o, etc?
Qual a desvalorizacao média em funcao do numero de anos do carro? Qual a distribuicao em relacao ao idade dos carros? Se fosse todos novos, a desvalorizacao era brutal. Quantos carros há encostados, ou que andam 4 ou 5x por ano?

A motivacao daqueles que fazem este teste é diferente, em funcao da situacao. E aqueles que nem tem internet?
Em conclusao, acho que a amosta é super pequena para conclusoes e é preciso fazer as contas tendo em conta outros factores, como referi atrás.

É uma média, vale o que vale! Em relação às famílias sem carro, tens todos esses dados aqui em função dos rendimentos:


70% das famílias tem pelo menos um carro! Todavia, em média, há neste momento mais carros que famílias.

já fizeste as tuas contas?
www.autocustos.pt
faz a cada um dos carros e depois soma tudo!

Falamos sempre de médias. Quando dizemos que em Portugal os rendimentos são baixos, também não dizemos que há gente em Portugal que ganha mesmo muito mais que um comum Alemão.

Pode ser, mas repara que estudo estas matérias há muito tempo, e tenho cruzado esses dados com os dados do INE, que tem um trabalho péssimo nesta matéria pois mistura tudo. Mas cruzados os dados do autocustos, com os dados do INE bem escrutinados, pode-se constatar, que esses valores não estão muito afastados da realidade.

Repara que o INE, não tem parcela para “desvalorização”, tem apenas para aquisição de automóvel. Pode-se demonstrar que, essa parcela, em média, seria igual à da desvaloização, se os portugueses tivessem a comprar carros agora como estiveram nos últimos 15 anos. Todavia, quando o INE fez este inquérito às famílias (2010/2011), a compra de carros novos estava num mínimo histórico, fazendo com que a parcela de aquisição de carros, esteja neste gráfico subvalorizada, em relação ao valor real da desvalorização.

btw, só vi agora que eras tu César :smile:
Acho que o @MarioJAlves tinha razão, devemos evitar pseudónimos, para saber com quem estamos a falar :smile:

um abraço

Tenho pena que este topico nao seja lido por todos os Portugueses.

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O autocustos Portugal já tem mais de 7000 entradas VALIDADAS

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Estatísticas são fantásticas. Mas depois cada indivíduo faz a sua análise.
Eu tenho um carro próprio, comprado em 2013, a gasóleo. Assumindo que, pelo menos, vou mantê-lo por 7 anos (já lá vão 5 e suspeito que o manterei bem mais que os 7 anos), só em custos fixos admito que tenho quase 200€ por mês. Falta o combustível nesta equação.
MAS! Se não tivesse carro, de todo!, a minha logística seria bem mais complicada: compras seriam mais complicadas, levar filhos à escola e a atividades que eles têm seria bem mais penoso (escola) e impossível (atividades) pelo horários implícitos.
É um custo que eu (e o meu marido, que tem outro carro que necessita diariamente, sem possibilidade de equilibrar horários comigo) temos assumido como qualidade de vida.
Se eu conseguiria viver sem carro? Conseguiria, mas isso iria compromete-nos e sacrificar os meus filhos. É uma escolha.
Há-de haver uma altura que não terei esta necessidade de andar a fazer de chauffer, nessa altura talvez possa abdicar do carro.
Imagino que muitas famílias terão a mesmas circunstâncias que a minha. E apesar de ser muito a favor dos jovens irem de bicicleta para a escola, estou abismada com o peso BRUTAL (deve rondar os 10/12kg) da mochila do meu filho no 5º ano! e por isso, aproveito o início da minha viagem para o trabalho para lhe dar boleia e ele apenas caminhar 500m para a escola.

Em vez de previsões por alto, porque é que não fazes aqui as tuas contas certas e partilhas connosco?

A matemática certeira e precisa retira a gordura subjectiva do debate

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no início tem logo um “vício”: o valor do carro caso o vendesse hoje. Ora se não tenho pretensão de o vender nem hoje nem daqui a 2 anos… Assume que hoje vale X, daqui a 3 anos vale… 80/85% de X? o que diminui a desvalorização total ao longo da vida do carro.
Imagina que tinha comprado o carro há 2 anos, se fizesse a simulação hoje a desvalorização seria brutal, pois assim é nos primeiros 3 anos, e o cálculo seria absurdo, pois quando eu compro um carro planeio ficar com ele pelo menos 7/8 anos…

Entretanto fiz a simulação e ironia das ironias!!!
O custo mensal do meu carro: 144€ (afinal tinha assumido que o valor do meu carro com 7 anos seria quase metade do que ele vale agora de facto, com 5 anos)

Valor mensal em transportes se abdicasse do carro: 144€!!!

Espetacular!! E ainda eles não sabem do curto tempo que tenho entre sair do trabalho, ir buscar os 2 filhos a sítios diferentes e estar noutro ponto da cidade para as atividades extra. Impraticável de TP ou até taxi (3x por semana) e no sábado tb ter atividades que implicam ter pouco tempo entre fim da manhã e depois de almoço, tendo de almoçar neste intervalo. Andaria necessariamente de táxi 4x por semana, seriam 10 viagens distintas de táxi que me custariam muito dinheiro.
Conclusão óbvia: É mais vantajoso o carro. No entanto, quando não chove vou de trotinete para o trabalho…

A desvalorização é um facto contabilístico, qualquer ativo móvel por norma desvaloriza com o tempo e tal representa uma perda no património da pessoa, perda essa que pode ser contabilizada da forma como a calculadora o faz. Mas nem todo o património representa perda com o tempo, por exemplo, ativos imóveis, como casas ou apartamentos, por norma tendem a valorizar com o tempo, e por isso mesmo, pagamos até impostos sobre essas mais-valias.

Claramente no teu caso compensa ter e usar carro!

Caso americano.

@Aonio_Lourenco ainda dizes que o carro não é parte essencial da vida de uma pessoa.

Os quatro pilares sociais: Habitação, Saúde, Educação e Automóvel

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Deixo aqui um paper recente do @david_vale com um novo conceito da acessibilidade efectiva a partir do conceito da velocidade efectiva.
https://reader.elsevier.com/reader/sd/pii/S1361920919316694?token=A00353E7780A7E4E0CA3AEAFE54E1F7939007AFE355F109E1E91FF436E03133AED8A5E5DDD3B8AC26DC4784DBDED32AA
(acesso livre durante 50dias)

“Our findings contradict Tranter (2012)’s argument that cycling is fastest and can be applied everywhere. In suburban areas that are distant from the destination, only an integrated bike-and-train mode would provide a real alternative.”

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Nunca disse isso @jmpa, bem pelo contrário, então no caso americano é socialmente patológica a sua dependência no automóvel. E já agora, esse gráfico é muito interessante.

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O vício que existe é as pessoas não contarem com o custo da desvalorização.

Esse custo, no limite, só poderá ser irrelevante se não se pretender nunca mais adquirir outro carro para substituir este. Porque nós portugueses normalmente fazemos uma vida de chapa ganha chapa gasta, e depois ficamos muito surpreendidos quando chega a altura de reformar o carro e o substituir e não temos capacidade financeira… pois, esquecemos de nos contar com esse custo e de manter uma almofada para ele.

Mas a Marta toca num ponto importante. Realmente é muito mais fácil, confortável e prático usar o carro que outros modos (seja a bicicleta, o transporte público, ou o andar a pé).
Eu normalmente vou sempre de transportes ou de bicicleta para o trabalho, mas semana passada tive dois dias formação da empresa numa universidade, e reservei para mim o luxo de ir de carro nesses dois dias (pensei… pah, já vou sempre de transportes e de bicicleta, se estes dois dias for de carro não é por aí, não é estrutural - e também porque, de onde venho, não é tão fácil chegar àquela zona de bicicleta ou de transportes). Epa e de facto, ir porta a porta, sempre sentado, a ouvir a nossa música, é um conforto difícil de ser batido. Em especial quando as infraestruturas para o tráfego rodoviário tem tanta qualidade, face a outras infraestruturas…

Isto tem mesmo de ser corrigido.

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