Mais uma vez, a eterna questão dos capacetes. Agora nas trotinetes


(Joao Santos) #1

“Should helmets be required for electric scooter use? Probably yes, say researchers from California, who identified a high proportion of head injuries on the emergency CT scans of scooter riders, many of whom were adolescents.”


(Rui Fonseca) #2

Não me choca que seja obrigatório porque de facto aquelas trotinetas não são muito estáveis.

O código poderia fazer distinção entre veículos em que se anda de pé e sentado.


(Aónio Eliphis) #3

Peões atropelados apenas em Lisboa

Continuamos a não ver o elefante na sala


(Marta) #4

Discordo! Com conhecimento de causa, pois tenho uma trotinete elétrica. Já agora, uso sempre capacete. Até porque as trotinetes elétricas não andam a mais do que 27/28km/h, nas descidas com embalo. E nem devem andar a mais, na minha opinião. A minha está limitada de origem e assim se vai manter. As bicicletas andam a bem mais velocidade! O maior risco de queda é o desequilíbrio devido à ultrapassagem ilegal de automóveis, que nos “encurralam” entre o lancil e o carro, pois muitas vezes nem 1m deixam de distancia de segurança. Quando não sou ultrapassada desta forma, sinto-me muito segura no percurso que faço, sempre em estrada.
Uso capacete porque, apesar de entretanto deixar de ser obrigatório, tenho medo de me desequilibrar e bater nalgum carro em movimento. Acreditem que é o meu maior medo. Se os condutores de automóveis fossem respeitadores, com quem anda de trotinete e bicicleta, acredito que mais pessoas deixassem o carro em casa.


(Joao Santos) #5

Por acaso alguém sabe em que parte do código se trata de trotinetes ou de seways (li algures que o código equiparava segways a velocípedes, o que me parece um absurdo)? Eléctricas ou não, parece-me disparatado equiparar umas ou outras a velocípedes. Não se pode comparar a estabilidade de uma trotinete a um velocípede, principalmente a velocidades acima de 20 km/h.


(Marta) #6

Artigo 112.º — Velocípedes
1 - Velocípede é o veículo com duas ou mais rodas acionado pelo esforço do próprio condutor por meio de pedais ou dispositivos análogos.

2 - Velocípede com motor é o velocípede equipado com motor auxiliar com potência máxima contínua de 0,25 kW, cuja alimentação é reduzida progressivamente com o aumento da velocidade e interrompida se atingir a velocidade de 25 km/h, ou antes, se o condutor deixar de pedalar.

3 - Para efeitos do presente Código, os velocípedes com motor, as trotinetas com motor, bem como os dispositivos de circulação com motor elétrico, autoequilibrados e automotores ou outros meios de circulação análogos com motor são equiparados a velocípedes.

Continuo a relembrar, por experiência própria, que à velocidade que as trotinetes com motor, limitadas de origem a 25km/h, se não houver situações de ultrapassagem ilegal, a circulação é muito tranquila, a velocidade é suficientemente baixa para estarmos atentos a qualquer obstáculo eventual na estrada (outra situação que pode originar um acidente).
Eu atinjo no máximo 28km/h, em descida, pois o motor também faz reduzir a velocidade.
Uma bicicleta não eléctrica atinge velocidades bem mais elevadas, com uma ligeira inclinação, e estão preocupados com as trotinetes electricas…


(Joao Santos) #7

Obrigado… Eu nunca andei de trotinete, mas as rodas pequenas e o centro de massa elevado não a farão instável a 28 km/h? Se apanhar uma irregularidade no terreno, não tem tendência a ir logo parar ao chão? Os estudos que começam a fazer indicam que sim, que é mais perigoso que uma bicicleta. Claro que se for para andar sossegado em asfalto ou em tapete de ciclovia, não haverá grande problema, mas andar com ela na via de trânsito… Eu ando de bicicleta desde sempre, e quase diariamente nos últimos 15 anos, e pensaria duas vezes antes de me pôr numa trotinete no meio dos carros. Ainda por cima com velocidade limitada. Um trunfo da bicicleta é que pode dar picos de velocidade elevados para acompanhar o trânsito ou fazer ultrapassagens. E no paralelo? E em mau piso? Agora andar a 20 km/h e não conseguir acelerar momentaneamentre para fugir de uma situação mais complicada? Confesso que não é para mim…


(Joao Santos) #8

O elefante está na sala e já toda a gente o viu! Mas isso não quer dizer que não se ponham ratoeiras para apanhar os ratos! :wink:


(Ricardo Ferreira) #9

A minha experiência com trotinetes é reduzida, mas não tenho dúvidas em afirmar que são mais inseguras do que uma bicicleta.

A primeira vez que as usei foi num dia de chuva, entre o cais do Sodré e a baixa. Por várias vezes tive de descer da trotinete porque, simplesmente, começou a deslizar na calçada. Nos paralelepípedos, a trepidação é tanta que a visão fica deturpada.
A segunda vez que as usei foi há pouco tempo, para ir da baixa a Alcântara. Fui pela 24 de Julho, pela faixa de rodagem onde não há ciclovia. Nessa secção, a ameaça são as tampas no pavimento que formam um desnível suficiente para prender a pequena roda e provocar um OTB.
Quem tenha experiência, tem melhor noção dos riscos e de como os diminuir mas, mesmo assim, a menos que me mostrem dados em contrário, não tenho dúvidas em afirmar que, seja qual for a velocidade, a trotinete é mais perigosa do que uma bicicleta.


(Joao Santos) #10

É essa a minha sensação. Se já com a bicicleta por vezes é difícil, imagino com uma trotinete. A probabilidade de ir ao chão deve ser infinitamente maior. A não ser, como já mencionei, que seja usada em tapete de asfalto imaculado… Penso eu de que! :slight_smile:


(Marta) #11

Pois eu não ando à chuva, pelo desconforto e também pela insegurança do piso molhado, mas não ando no passeio (é proibido!) nem por estrada de blocos.
Quanto às irregularidades do pavimento, dada a pouca capacidade de amortecimento da trotinete (juro que nem entendo quem anda pelo passeio, ou por caminho em blocos de granito, tal é o desconforto), nota-se cada buraco, mas as tampas das caixas de visita não causam grande perigo, só mesmo eventuais buracos com profundidade. Mas são visiveis, conseguimos vê-los e desviarmos-nos.
Eu sou de opinião que o que causa perigo são comportamentos irresponsáveis. Eu, porque tenho consciência da minha fragilidade, não faço manobras impulsivas, não “me atravesso à frente dos carros”, faço por ser vista, abrandando a cada mudança de direcção. Isto para dizer que, na minha opinião, conduzir uma trotinete é diferente de conduzir uma bicicleta. Quem tiver esta consciência, toma as medidas preventivas que considera adequadas. Ainda hoje duas colegas minhas (sou a única no meu trabalho que tem trotinete, e “todos” sabem, claro, por vê-la estacionada na entrada) me vieram contar que viram outra trotinete eletrica, no centro de Leiria, a fazer manobras irresponsáveis, como atravessar passadeira em cima da trotinete sem olhar (o que até é proibido), a andar no passeio… Assim fica difícil. Cumpram, todos, as regras básicas, principalmente as do Código da Estrada.


(Ricardo Ferreira) #12

Totalmente de acordo!

Mas de forma geral, comparando bicicletas e trotinetes, estas são mais perigosas do que as primeiras. O utilizador inexperiente vai correr mais riscos na trotinete. Entretanto, há poucos minutos apareceu-me este artigo que parece confirmar a minha opinião: https://super.abril.com.br/saude/patinetes-eletricos-geram-mais-lesoes-que-bicicletas-diz-estudo/amp/

Já agora, não conheço bem Leiria, mas em Lisboa, só em percursos muito específicos é possível evitar calçadas. E, a bicicleta uso-a sempre, mesmo debaixo de uma tempestade. Não há mau tempo, há é mau equipamento :slight_smile:


(Marta) #13

Aqui em Leiria também há algumas vias em blocos, mas eu não passo nelas.

Quanto ao tempo, concordamos em discordar, pois não estou disposta a vir para o trabalho “artilhada de impermeável e galochas”, que depois tenho de trocar numa casa de banho (não há balneários). Não tenho dress code no meu trabalho, não ando de estilo formal, mas o meu estilo também não é o “desportivo”. Por isto, e desculpem lá os que habitualmente se vestem de forma bem desportiva em meio laboral (e se assim se sentem bem, ótimo), não consegui ultrapassar a barreira de andar à chuva de trotinete, ou de bicicleta.

Já agora, para quem conhece países nórdicos, com grande adesão à circulação de bicicleta em meio urbano: Como fazem, principalmente com crianças, o percurso casa/escola de bicicleta com chuva? Há um veste/despe de fato completo impermeável? Calçado? E a cara molhada? E mochilas? Isto pq tenho 2 filhos no 1º ciclo, que vão com mochila, lancheira, e às vezes ainda a mochila da natação… Não estou a ver como seria possível transportá-los de bicicleta. Se eles fossem de bicicleta teriam de ter alforges, garantidamente.


(Daniel Garcia) #14

um do métodos é usando bicicletas de carga, por exemplo: https://www.bakfiets.com/modellen/cargotrike

estas bicicletas têm muitos acessórios disponíveis, por exemplo bancos e lonas, como podes ver no site

outra hipótese é um atrelado próprio para a bicicleta


(José João Leiria Ralha) #15

Eu comprei uns fatinhos impermeáveis para a chuva, género teletubbies: https://oaki.com/collections/girl-rainwear

A seguir, por causa do frio, arranjei também em 2ª mão uns fatos para a neve: são igualmente impermeáveis e encontram-se baratos e quase sem uso.

Para o do 2º ciclo pedalar sozinho ou andar a pé à chuva, calças impermeáveis da Lego, casaco impermeável já tinha…

Calçado: galochas, botas de neve (estas tb se encontram em 2ª mão, só usadas uma vez: as pessoas vão de férias à neve e depois querem livrar-se dos monos), simples capas?

Chegamos mais secos a andar 4 km de bicicleta do que se fizéssemos 100 metros desprotegidos do estacionamento até à porta da escola. :wink:

A cara molhada é irrelevante: as crianças adoram. Se for uma chuva gelada, suponho que haja máscaras para o efeito.


(Rui Fonseca) #16

(Pedro Sanches) #17

https://radiocomercial.iol.pt/videos/7823/questoes-levantadas-por-trotinetas


(Ana P.) #18

Olá Marta!

A maior parte dos sinistros de bicicleta são a solo, não envolvem mais ninguém, são quedas, despistes, colisões com objectos imóveis… De trotinete deverá ser a mesma coisa.

A trotinete é sempre mais arriscada que a bicicleta por questões da física. Podem ir até aos quase 30 Km/h mas não permitem a mesma segurança na travagem, e muito menos na transposição de obstáculos e irregularidades. Se um carro nos bate por trás, o resultado será potencialmente muito mais grave do que se formos de bicicleta (porque bate no nosso corpo e não na bicicleta). Também é mais limitada na forma de a equilibrar e controlar do que uma bicicleta.

E a não ser que uses uma luz no corpo, a luz traseira fica sempre muito baixa (e ilegalmente baixa).


(Rui Fonseca) #19

Tive dezenas de sinistros de bicicleta quando era puto. :laughing: