Orbita em dificuldades financeiras


(Aónio Eliphis) #21

@pmmsanches tens ideia de qual era o plano de pagamento da CML à Órbita?

@anabananasplit uma coisa é andarmos aqui de forma voluntária e nos tempos livres a defendermos nobres causas, outra totalmente diferente, é haver técnicos na autarquia que são remunerados para o efeito e que servem para defender o interesse público; ou gestores de médias empresas que devem ter formação, ou delegar essas tarefas, para fazer um bom plano de negócio. Nunca disse que tenha havido corrupção ou algum tipo de crime, mas acho que não se pode, nesta dimensão de negócios, desculpar a incompetência apelando aos valores das nobres causas. Falamos de um negócio de 23 milhões de euros!


(Ana P.) #22

João, o meu comentário não tinha nada a ver com nobres causas. Apenas quis lembrar que fazer qualquer coisa, e quanto maior e mais ambiciosa é, pior, é mesmo muito, muito difícil (isto para não dizer que é mesmo f*****), e que falhar faz parte, só não falha quem nada faz (embora, logo, seja um falhado por default, poder-se-ia dizer). Podes ser a pessoa mais inteligente, bem formada e competente, e ainda assim o teu projecto falhar. É muito fácil estar de fora e criticar, mesmo que não se atirem bocas de acções de má fé, acusar publicamente os outros de incompetência sem saber do que se fala é desnecessário, e inútil, de resto. Quantas empresas já criaram e mantiveram vivas, e a fazer trabalho inovador, ambicioso, difícil, todos os críticos da Órbita? E em Portugal?

Não sei o que levou a Órbita a esta situação. Os palpites que tenha não interessam, não estive por dentro do processo, não sei, e a empresa nem sequer é pública. Tenho muita pena de ver mais uma empresa industrial (das que fazem coisas palpáveis) portuguesa a falir, se for esse o desfecho. Espero que não seja, e que sobrevivam ao golpe.


(Pedro Sanches) #23

Infelizmente não tenho esses detalhes.


(José João Leiria Ralha) #24

Investimento no SBPP segundo os relatórios e contas da EMEL:
2016 — 1.800.000€
2017 — 2.670.000€

As tranches que estavam no contrato:
• 10% com a assinatura (1.799.578€)
• 10% com o arranque da fase beta (1.799.578€)
• 80% divididas em 96 mensalidades, ponderadas de acordo com número médio de estações e bicicletas (150.000€/mês, se for a totalidade)

Ainda não há relatório e contas de 2018. Com sensivelmente metade das estações e menos de metade das bicicletas, podemos presumir um pagamento de 75.000€*12=900.000€ ao longo de 2018. A Órbita terá recebido portanto cerca de 5,37 milhões. (Menos penalizações por incumprimento que nunca foram aplicadas, e que atingem quase este valor…)


(João Almeida) #25

(Three) #26

Não se consegue viabilizar uma empresa sem empregados com know-how


(Aónio Eliphis) #27

Ana, pois eu discordo parcialmente. Quando um avião cai por incompetência dos engenheiros ou pilotos (eu sei, é um caso muito mais grave, mas serve apenas para percebermos o argumentário) ninguém ousa dizer que “errar é humano” porque “o avião é uma peça de engenharia muito complexa e difícil de lidar”. E porque os desastres de avião são tão raros no mundo civilizado? Porque os pilotos, mecânicos e engenheiros aeronáuticos têm formação para que as coisas corram bem. O mesmo se passa na gestão de grandes empresas. E sim, claro que há muitos projectos que correm mal, e um grande número de empresas vai e vem, há milhares de negócios que fecham todos os dias, e não há drama nenhum com isso, faz parte da experiência dos negócios. Apenas acho que também não podemos, na boa prática lusitana, desculpar tudo sob o aforismo de “errar é humano”. Aqui não está em causa vidas humanas, mas dezenas de empregados vão para o desemprego. E repara que as coisas começaram a correr mal quando mudaram de administração, logo há um padrão.


(Ana P.) #28

João, a comparação que fazes é infeliz, porque as similaridades são poucas. Gerir um negócio é mais próximo da medicina do que da engenharia. Não é uma ciência exacta. É altamente complexo. Não estou a defender que se desculpe a incompetência, estou a defender maior conservadorismo a criticar terceiros quando temos informação muito incompleta da situação. Porque criticar é fácil. Fazer é que é difícil. Uma coisa é seres criticado pelos teus pares, outra é seres criticado por treinadores de bancada.

Claro que é fácil associar os problemas à única coisa que salta à vista para quem está de fora, a mudança de administração. Mas não sabes o que mais mudou à volta da empresa, ou sabes? Como mudou o mercado, como mudaram os players, que alterações financeiras ou regulamentares houve?

E se aquilo falhou porque simplesmente falhou a aposta que fizeram? Podem ter decidido ser audazes em algum aspecto do negócio e deu para o torto. Faz parte, grandes riscos implicam grandes ganhos ou grandes perdas, não é uma ciência exacta porque depende de n factores que não se controlam e por vezes nem se conhecem a priori.


(Three) #29

Estranho o negócio começar a correr mal quando recebem uma encomenda de longo prazo.


(Aónio Eliphis) #30

Ana, a medicina é uma ciência exata. Tem os seus fundamentos em Química orgânica e Biologia. Isto não quer dizer que tenha resposta para tudo, mas isso não implica que seja inexata. Um caso interessante é a Climatologia, que é, ao contrário do que muitos erroneamente pensam, uma ciência exata porque se baseia em equações determinísticas (o erro da predição a longo prazo advém da Teoria do Caos).

A Gestão de Empresas, como bem referes, não é uma ciência exata, porque lida com o comportamento humano, e por isso exige, como referes, muita tentativa-erro, experiência e “feeling”, pois em última instância nas economias de mercado, as empresas só triunfam se conseguirem vender produtos e serviços, que são consumidos por pessoas.

Concordo

O mercado não subiu com o crescimento económico? A economia cresce, em princípio beneficia qualquer sector.

Fizeram análise de risco? Lá está, a gestão não é uma ciência exata, mas isso não implica que não se tenha de usar muita matemática (coisas simples, aritmética por vezes chega).

O meu irmão tem uma empresa de alojamento local com vários estabelecimentos e empregados. E tem crescido. Não imaginas o amadorismo que eu vejo naquilo, não fazem previsões calculistas, não usam matemática, não tecem análises de risco para novos investimentos, é tudo uma questão de “feeling”, e quando falha “errar é humano”. Mas claro, dou-lhe muito valor, tal como a vós, por ter sido ousado e ter criado o negócio, demonstra motivação e empreendedorismo e isso faz mais falta em Portugal. E sim, “sou treinador de bancada”, porque nunca criei uma empresa. Mas nas questões puramente teóricas o melhor local para a análise é de facto a bancada, pois permite o afastamento necessário para uma análise mais pura e idónea.


(PG) #31

Exactamente, se concorrem e ganham um investimento deste valor, que incluía a manutenção, coincide com a mudança de aministração, é preciso ver bem em auditoria se o dinheiro foi todo bem aplicado, e não houve desvios, favorecimentos, offshores, casinhas na praia, etc…até porque isso nem está nada na moda nem nada.

Muitos dos nossos “amigos” banqueiros também tiveram essa teoria toda aí em cima nos slides da faculdade mas depois é o que se vê…

PS: Não estou a julgar nada nem ninguém, não sou juíz nem sou pago para isso, muito menos neste processo, estou a comentar livremente num fórum sobre bicicletas, e além disso temos todo o direito de ficar indignados porque o dinheiro é público e faz parte do orçamento da cidade.


(João Almeida) #32

(Luís L Belard) #33

Não consigo entrar nesse site. Sabe de algum outro onde venha a notícia?

Só para relembrar:
Em 2011, um cliente francês adjudicou-lhe a colocação de 22 mil bicicletas eléctricas para Paris.
No ano seguinte forneceu 220 Bicicletas e 38 parques para o projecto Vilamoura Public Bikes e mais 150 bicicletas eléctricas para um projecto de distribuição postal pelos CTT.
Em 2013 ganhou o fornecimento para Viseu e em 2014 para Vila do Conde.
Além de Águeda também está presente em Oliveira de Azeméis e Bragança.
Em 2015, a Órbita mudou de dono.
A partir de 2016 começou a queda nas vendas.
Não faço ideia dos argumentos que vão usar para justificar a coincidência da mudança da gestão com a quebra de produção, a venda de máquinas e o despedimentos dos trabalhadores e conseguirem transmitir a confiança necessária para entrarem num processo especial de revitalização.


(Alexandre Climber) #34

Como se costuma dizer:

  • Parece mrd

  • Cheira a mrd

  • Sabe a mrd

Mas só pode ter sido azar :wink:


(Three) #35

Não existe qualquer factor sorte/azar quando se vendem os equipamentos de produção. Claramente uma administração ruinosa e incompetente.
Essa mania dos economistas de que administrar criações de porcos, hospitais ou indústrias de manufactura é tudo a mesma coisa dá resultados destes.


(José Miguel Ramos Modesto) #36

Diz antes «Essa mania dos engenheiros de que administrar criações de porcos, hospitais ou indústrias de manufactura é tudo a mesma coisa dá resultados destes.»

O CEO da Órbita é engenheiro. Não economista.


(Three) #37

Estupidez querer meter os Engenheiros todos no mesmo saco. Engenheiro que se preze não se mete em economia!


(Alexandre Climber) #38

Quem é que está a meter todos no mesmo saco?

O ZeM só fez uma constatação…


(José João Leiria Ralha) #39

As Vélib produzidas pela Órbita eram eléctricas? Acho que não.

Mas isto também significa que perderam um cliente importante quando a Smovengo ganhou a Vélib 2… trocaram pela Gira com 10% das bicicletas e um factor de risco muitíssimo mais elevado — já não apenas o fornecimento subcontratado das bicicletas, mas a totalidade da operação.


(Three) #40

Eu percebi a directa…

Não “trocaram”, simplesmente perdem-se uns concursos e ganham-se outros.

Não percebo onde está o risco “muitíssimo mais elevado”