“Portugal deixou de investir na segurança rodoviária”. Números “estão aí”

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“Portugal deixou de investir na segurança rodoviária”. Números “estão aí”

A Associação para a Promoção de uma Cultura de Segurança Rodoviária (GARE) considerou hoje que “Portugal deixou de investir em segurança rodoviária”, alegando que “os números estão aí para provar”.

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Notícias ao Minuto

14:24 - 11/09/19 POR LUSA

PAÍS ESTRADAS

Segundo a GARE, o recente relatório de sinistralidade rodoviária da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), referente às vítimas a 30 dias no ano de 2018, confirma de “forma inequívoca, aquilo que a GARE vem afirmando repetidamente sobre o aumento da sinistralidade rodoviária em Portugal”.

“Desde 2010 que os números da sinistralidade rodoviária em Portugal têm vindo a baixar de forma lenta, mas sistemática, tendo os registos de vítimas mortais a 30 dias, os únicos em que devemos confiar, passando de 937 em 2010 para 563 em 2016. Mas em 2017 voltamos a registar 602 vítimas mortais e em 2018 o registo subiu para 675 vítimas mortais, apenas inferior ao registo de 2012”, refere a associação GARE.

De acordo com a GARE, as previsões para 2019 “não serão melhores”.

Assim, a GARE questiona por que razão não se investe em educação rodoviária e defende que a pergunta tem que ser feita a muita gente.

“Em primeiro lugar claro ao Governo pois muitos ministros têm responsabilidade direta na resolução deste problema. Mas a Assembleia da República e o Presidente da República também têm responsabilidades. E o Poder Local. E a comunicação social. E a população em geral”, adianta a associação para a promoção da segurança rodoviária.

A GARE observa ainda que é preciso não esquecer que os atropelamentos dentro das localidades também continuam a aumentar.

“É porque as questões da mobilidade nas nossas aldeias, vilas e cidades, continuam sem resolver e não se vê qualquer amplo movimento no sentido de tomar medidas”, critica a GARE, lamentando “profundamente o que está a acontecer” em Portugal nesta matéria.

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Por baixo dessa notícia encontrei imediatamente esta em grande destaque:

https://www.noticiasaominuto.com/pais/1314725/atencao-condutores-saiba-onde-vao-estar-os-radares-da-psp-em-setembro?inlinks=body

Agora já não tenho medo de acelerar. Já sei onde posso ou não posso fazê-lo e a que horas. Uau.

Mais importante que fiscalizar a velocidade é fiscalizar o civismo. Num período de formação que tive em Setembro 2017, usei o meu carro para ir dos Olivais a Telheiras.
Foi uma constante, sobretudo de manhã, ver carros a jogarem-se à maluco para a frente do meu em sítios onde não tinham prioridade! Qual é o radar que capta infracções assim? Eu não conheço!
Praticamente as únicas coisas que se fiscalizam ao nível da condução em Portugal são a velocidade e o excesso de álcool. Ainda estou para conhecer um Polícia/Guarda que tenha chamado a atenção a um condutor de viatura a motor por ter feito uma razia a um ciclista!

Estive a pensar no assunto e uma das maneiras como podíamos contonrar o assunto era segundo um princípio de “Proibição da compensação”.

Vou dar um exemplo: Há uns anos houve uma marca de carros que fabricou um modelo (Ford Pinto) de maneira a que se sofressem um embate traseiro, era quase certo que iam começar a incendiar, devido à posição do depósito da gasolina. Os custos que tiveram ficaram-lhes mais baratos que mudanças à estrutura do carro:

These included that Ford knew the Pinto was a “firetrap”, and said that Ford did not implement design changes because Ford’s cost–benefit analysis document showed that paying out millions in damages in lawsuits was more profitable than the design changes

Houvesse um princípio de “proibição da compensação”, de maneira a que não houvesse forma de ficarem a ganhar proveitos imerecidos, já não andavam a gozar com a cara dos clientes deles.

Não sou jurista, talvez o que eu vá dizer seja uma aberração ao nível jurídico, mas proponho o seguinte: Por cada utilizador vulnerável morto em ambiente de estrada, um país deve pagar uma multa de 1000 milhões de euros à União Europeia; e por cada utilizador vulnerável ferido grave um país deve pagar uma multa de 750 milhões de euros à União Europeia.

Penso que assim os países serão obrigados a ter infra-estrutura segura para os vulneráveis by design e mão pesada para os condutores pouco cívicos por lei.

Se os países têm que pagar por cada tonelada de dióxido de carbono que emitem, não faria sentido pela lógica da jurispudência, fazê-los pagarem por uma ameça muito mais directa à própria vida dos cidadãos?