Prioridade em passagem para ciclistas (marcas M10 ou M10a)

Boas,

Antes de prosseguir com a questão que quero partilhar convosco e que gostaria de ver discutida, vou partilhar um episódio sem gravidade ou perigo mas extremamente incomodativo que me aconteceu ontem.

Ao atravessar uma passagem para ciclistas (devidamente assinalada pela marca M10), um carro parou em segurança cedendo-me passagem (eu averiguei se tal ia acontecer antes de avançar), ao que a mulher de dentro do carro abre o vidro e me diz “tem de atravessar a pé!”. Como a mulher na verdade falou num tom simpático e sorriu, e eu ia “na minha”, na altura nem me apercebi. Fiquei extremamente chateado por não lhe ter chegado a dizer nada… fiquei com a sensação que a minha atitude (sorri de volta ao ver que a mulher me sorria… epa, sou uma pessoa super sorridente) transmitiu à mulher que ela tinha razão no que dizia. Escusado será dizer que a respectiva passagem está exactamente ao lado de uma passadeira.

Bom, isto foi mais um desabafo que outra coisa, acho que não há muita coisa a dizer sobre isto, mas se quiserem comentar a situação, força!

Adiante, a grande questão que gostaria de colocar é a seguinte. Hoje estive a explorar um pouco o Código de Estrada, nomeadamente a parte respeitante às bicicletas, e não encontro absolutamente nada que nos confira prioridade quando atravessamos numa passagem para ciclistas!! Só encontro que é o local pelo qual devemos fazer a travessia.
Será assim? Não temos, na verdade, prioridade nas passagens para ciclistas?

Artigo 32º - Cedência de passagem a certos veículos
ponto 3 - “Os condutores devem ceder passagem aos velocípedes que atravessem as faixas de rodagem nas passagens assinaladas.”

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Obrigado @Rui! Já percebi porque é que a pesquisa por “passagem para velocípedes” e terminologias semelhantes não davam nada :smile: estou mais descansado…

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a prioridade é igual à de um peão na passadeira.
velicípedes em passagens para velicípedes
e peões em passagens para peões
estão em conjunto nas alíneas em que aparecem

“Artigo 103.º
Cuidados a observar pelos condutores
1 - Ao aproximar-se de uma passagem de peões ou velocípedes assinalada, em que a circulação de veículos está regulada por sinalização luminosa, o condutor, mesmo que a sinalização lhe permita avançar, deve deixar passar os peões ou os velocípedes que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem.
2 - Ao aproximar-se de uma passagem de peões ou velocípedes, junto da qual a circulação de veículos não está regulada nem por sinalização luminosa nem por agente, o condutor deve reduzir a velocidade e, se necessário, parar para deixar passar os peões ou velocípedes que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem.
3 - Ao mudar de direção, o condutor, mesmo não existindo passagem assinalada para a travessia de peões ou velocípedes, deve reduzir a sua velocidade e, se necessário, parar a fim de deixar passar os peões ou velocípedes que estejam a atravessar a faixa de rodagem da via em que vai entrar.
4 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600.”

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@miguelmaia Por acaso dei uma olhada por esse artigo hoje, e denoto uma falha: repara que ele diz que o condutor deve deixar passar os peões «que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem».

Sim, essa situação que descreves é comum, pois o desconhecimento das passagens para velocípedes é generalizado. Nem mesmo a maioria das pessoas que circulam de bicicleta o sabem e ao circularem numa ciclovia que atravessa uma estrada, como está geralmente ao lado duma passadeira, usam a passadeira, em vez de usarem a passagem para velocípedes.

Eu já escrevi sobre isto: http://cicloriente.pt/2015/01/22/passagens-para-velocipedes/

O principal problema das passagens para velocípedes é serem mal sinalizadas, com tinta normalmente já gasta e da mesma cor que o asfalto.

Solução: deviam ser pintadas com um fundo diferente (verde ou vermelho), com pictogramas de bicicletas e triângulos brancos de perda de prioridade para os veículos, do lado de fora do tracejado que delimita a passagem. Também deviam ser sobre-elevadas e precedidas dum estreitamento da via para garantir o cumprimento do código da estrada e proteger os mais vulneráveis

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Pois é… mas é verdadeiramente irritante que, no meio de tantas críticas que dirigem aos ciclistas, ainda nos criticam erradamente quando estamos a fazer tudo bem.

Nem mais!
E as fotos que acompanham o que escreveste são muito interessantes pois a sinalética no asfalto está feita para quem vem do passeio, isto é, para ciclistas e peões mas não para quem vem a circular na estrada.

Este é um exemplo do que poderia ser feito para todos, intuitivamente, sem ter de ler os códigos e regulamentos, sabermos onde passam as bicicletas.
https://goo.gl/images/4QRpv7

Viva.

Sendo este um primeiro post, uma saudação a todos os membros deste fórum.
Em forma de apresentação à comunidade, Hugo Velez, jovem de 40 e utilizador de bicicleta há vários anos na zona de Lisboa.

Tenho estado a ler os diferentes tópicos deste fórum e (infelizmente) demasiados relatos de incidentes.

Relativamente a este tópico, “prioridade em passagem para ciclistas”, por experiência própria considero estas passagens o principal problema e um sério risco para quem circula em ciclovias.

Como diz e bem o gonperes no seu blog, há melhorias que podiam ser realizadas mas tudo se resume ao facto de os condutores de veiculos motorizados não reconherem estas passagens para ciclistas como reconhecem e respeitam as passagens para peões…(os que respeitam).

O mesmo se aplica a agentes de autoridade e companhias de seguros, o velocipede pode ter a legislação a seu favor mas se forem atropelados numa passagem para ciclistas não contem com a “jurisprudência”, são considerados responsáveis pelas companhias de seguro.

Estas batalhas legais e o vazio em termos de apoio juridico para utilizadores de bicicleta fica para outro post.

Até lá, boas pedaladas.

Olá @velez, bem vindo. :slight_smile:

Porque dizes que somos considerados responsáveis pelas companhias de seguro?

Ainda há poucos dias deixei duas ocorrência no portal Na Minha Rua da CML a respeito deste assunto:

Aquando da repintura da passagem para peões neste local, foi retirada e completamente esquecida a passagem para velocípedes que lhe era adjacente. De momento, num local onde existe uma ciclovia de ambos os lados da estrada, não existe uma passagem que permita aos velocípedes fazer o atravessamento da faixa de rodagem, à semelhança do que foi feito originalmente. Existe apenas uma “passadeira” que, como saberão, os velocípedes estão proibidos de usar à luz do Código da Estrada. As marcas rodoviárias deverão ser as M10 ou M10a à luz do actual Regulamento de Sinalização do Trânsito (http://www.ansr.pt/SegurancaRodoviaria/RegulamentoSinalizacaoTransito/Documents/RST-Decreto%20Regulamentar%2022-A-98.pdf). Exemplo: https://i2.wp.com/bragaciclavel.pt/wp-content/uploads/2016/10/Dutch-Intersection-Biscuit.jpg

Idealmente, a passagem para velocípedes deverá ser pintada na mesma cor da ciclovia (neste caso, vermelho) por forma a alertar os condutores que circulam na faixa de rodagem para a aproximação de uma passagem com estas características: Exemplo: http://kojects.com/wp-content/uploads/2014/09/songdo2014_13.jpg

https://naminharualx.cm-lisboa.pt/gopiv2/naminharuav2/ocorrencias/563336/fotos/939

Ontem também passem na Avenida 24 de Julho e reparei que, junto ao Mercado da Ribeira, as passagens para velocípedes foram pintadas de verde! Não obstante, e devido aos rodados do tráfego automóvel, a cor já está esbatida e próxima do tom do alcatrão. A ideia era boa mas será necessário reajustar para que a passagem seja efectivamente visível.

Ali na zona de telheiras, em todos os cruzamentos da ciclovia, com o asfalto do auto-deus-todo-poderoso-móvel, existe um triângulo branco, pintado no chão… mas na ciclovia.
Que raio de legislação é essa que legaliza, primeiro um triângulo branco, em jeito de stop(?), e depois, com que direito esse sinal se pode sobrepor ao código que diz ao automóvel para esperar?
quanto à questão “que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem”, no fundo, parece-me que o que quer dizer, é que quem bate, paga.
Se for o carro a bater no ciclista, a culpa é do carro, se não, lixa-se o ciclista. (Na prática lixa-se sempre o mais vulnerável.) Pode haver ali uma ou outra coisa que salvaguarde, como a zona em que o ciclista «bate» no carro… as seguradoras, normalmente, para análise do acidente, referem-se a uma análise estática do acidente…

Essas marcas rodoviárias de cedência de passagem só têm validade legal quando acompanhadas por sinalização vertical. No caso das ciclovias, isso raramente acontece:

M9 e M9a — linha de cedência de passagem e linha
de cedência de passagem com símbolo triangular:
consiste numa linha transversal descontínua e
indica o local da eventual paragem, quando a
sinalização vertical imponha ao condutor a
cedência de passagem; esta linha pode ser refor-
çada pela marca no pavimento do símbolo constituído
por um triângulo com a base paralela
à mesma;

Viva.

@pmmsanches, é de louvar o teu esforço cívico.

Em resposta à tua questão: "Porque dizes que somos considerados responsáveis pelas companhias de seguro?"
Porque é esse o seu negócio, defender a todo o custo os seus clientes, colocando os objectivos financeiros da empresa acima de tudo resto… minimizar custos, aumentar lucros.

O @miguelmaia e o @Rui, já aqui enunciaram os artigos do Código de Estrada para este tipo de situações, tal como outros membros que revelam grande conhecimento de causa sobre os códigos e regulamentos existentes.

A questão fundamental é: Também as companhias de seguros e eles lidam diariamente com estas questões.

Podem ter a lei do vosso lado, repletos de razão mas isso não vos garante que as companhias de seguros reconhecam isso. Vão interpretar, contornar e fazer tudo o que puderem para não pagarem… é para isso que existem departamentos juridicos.

É por estas e por outras que temos, infelizmente, tópicos como: “A jurisprudência nos crimes rodoviários METE NOJO!”.

A titulo de exemplo, e falando por experiência própria, se forem atropelados numa passagem para velocípedes, devidamente regulada por sinalização luminosa, sinalização horizontal e vertical… mesmo com auto da PSP, a resposta que vão obter de uma companhia de seguros será algo como isto, citando:

"Assim, informamos que concluímos pela responsabilidade do condutor da vossa viatura/bicicleta, pelo que, declinamos a responsabilidade.

A nossa posição baseia-se no facto do condutor do velocípede ter violado o disposto no art.78º - A nº1, alíneas c), d) e f) do Código da Estrada.

"1-Numa zona de coexistência devem ser observadas as seguintes regras:
c)Os condutores não devem comprometer a segurança ou comodidade dos demais utentes da via pública, devendo parar se necessário; d)Os utilizadores vulneráveis devem abster-se de atos que impeçam ou embaracem desnecessariamente o trânsito de veículos; f) O condutor que saia de uma zona residencial ou de coexistência deve ceder passagem aos restantes veículos."
__Sem outro assunto,"

De salientar, não é meu objectivo discutir os artigos do Código da Estrada, já os enumerei na reclamação que fiz por escrito à companhia de seguros.

O objectivo é “alertar” para uma tomada de consciência dos que utilizam as ciclovias todos os dias com um sentimento de segurança e protecção… uma falsa segurança que pode ser fatal.

Nada de serve argumentar artigos de lei quando estamos debaixo de um carro.

Boas pedaladas e muita atenção nessas passagens, estradas, ZABs, zonas de coexistência e afins.

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Tenho andado a colocar no Na Minha Rua pedidos de pintura da marca M10, na ciclovia de Telheiras a Benfica.

Sugiro que as sigam, não sei se contará para a sua visibilidade.

Este post é fundamental para andar nas ciclovias e “dialogar” com condutores menos informados.

Podias partilhar esses pedidos. Penso que no portal é possível que outros utilizadores manifestem apoio ao pedido.

Quando estou de bicicleta a atravessar a estrada vindo da Ciclovia no Saldanha em


e o semáforo tem uma bicicleta amarela a piscar, tenho prioridade sobre os carros, certo? Não tenho a certeza.

Mesmo tendo, borro-me todo ao passar ali, e prefiro deixar os carros passarem do que levar com um em cima!

Tens prioridade. O amarelo intermitente apenas adverte para cautela, não regula prioridades e permite avançar.

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Tens de te impor na estrada. Nem toda a gente sabe ainda como funciona, mas tens prioridade pelo que deves passar primeiro – com cautela, claro, mas impondo prioridade na mesma!

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