Queimar vermelhos e as suas consequências


(Ines Garcia) #42

Passar vermelhos ou não, não devia ser discussão.
Principalmente na cidade não faz sentido nenhum. Eu ando em Lisboa todos os dias, e compreendo que os carros ficam irritadíssimos divido aos ciclistas que passam os vermelhos. Se queremos ser respeitados também temos que respeitar (as regras do trânsito e os automobilistas). Sinceramente acho que não faz assim tanta diferença passar um vermelho ou parar nele.
Os semáforos estão lá por alguma razão. Nós somos mais vulneráveis, não podemos armarmo-nos em carapau de corrida.
Temos que ser bons exemplos para a sociedade. Só assim as pessoas vão nos respeitar e parar c as razias etc.


(Rui Martins) #43

Sim! Para impedir que veículos com 2 toneladas entrem em colisão com outros ou com utilizadores vulneráveis!
Conhece muitos sinais vermelhos em que a localização e programação esteja feita em função do interesse e comodidade dos peões em vez do interesse da “fluidez do tráfego automóvel”?


(Rui Martins) #44

Sim? Porquê?
As leis foram feitas para regular o tráfego perigoso de veículos perigosos.
Se o respeito pelas leis, mesmo as obsoletas ou absurdas ou simplesmente injustas, deve ser um valor absoluto, como mudariam as sociedades?
Ressalvando o exagero, escravatura, servidão, racismo, apartheid, “direito de pernada”, fascismo… todos esses horrores humanos foram legais no seu tempo…
As leis não dispensam um olhar crítico, acho eu…

E desculpe Inês, não me sinto obrigado para ser respeitado, a respeitar quem reiteradamente defende nas estradas e nas ruas uma ordem claramente predadora do espaço, do orçamento, do ambiente…

Lembro que somos um dos países da Europa, com mais atropelamentos e mortes dentro dos centros urbanos, muitos deles nas passadeiras…

Desculpem a verborreia :slight_smile: :slight_smile:


(Ines Garcia) #45

Cada um faz como entende. Eu círculo na estrada e não nas ciclovias, porque também não existem. Não ando nos passeios e paro nos semáforos.
É à conta desse seu pensamento que a circulação na estrada é uma guerra. Porque toda a gente pensa como o senhor.
Eu faço assim porque considero mais seguro. O senhor é livre de fazer como entende. Acha que ser anti fascista é desrespeitar as regras do trânsito, ok.
Eu quero que quem conduz pense que eu sou a filha de alguém, faço a minha vida, deixo passar os carros quando vão atrás de mim… Temos que ser bons exemplos para a sociedade.


(Ines Garcia) #46

É verdade que os semáforos são feitos a pensar na circulação rodoviária. Mas isso mudará, com o tempo, com activismo. Não necessariamente com desrespeito


(Rui Martins) #47

Divergimos saudavelmente Inês. Não precisa de pôr na minha boca coisas que eu não disse! :slight_smile:

Não ando nos passeios, deixo passar os carros e até me chego mais para a berma quando eles se colocam numa atitude respeitadora e adaptam a velocidade à minha, respeito os peões dentro e fora das passadeiras, mesmo dentro das ciclovias se para eles for mais conveniente (idosos, carrinhos de bébé, dificuldades de locomoção, etc).

Não ponha tudo no mesmo saco que eu não o fiz, respeito todas as normas que protegem a segurança dos outros e a minha própria.

Não sei se terá ouvido falar no Idho Stop, em pratica nesse e outro estado dos EUA.
É muito simples, para um ciclista, tratar um Sinal Vermelho como um STOP, tratar um STOP como uma perca de prioridade…
É simples, claro, e elimina qualquer ambiguidade na avaliação de responsabilidade…
:slight_smile:

Ah… esta posição é exclusivamente pessoal, dada tem a ver com as minhas responsabilidades na MUBi :slight_smile:


(Pedro Sequeira) #48

@Ines_Garcia sabias que um estudo feito no UK mostrou que as mulheres estavam mais sujeitas a um dos acidentes mais mortais para ciclistas, levarem um gancho à direita (lá à esquerda porque é no UK) por parte de camiões

mais do que os homens.

chegaram à conclusão que a resposta era simples. As mulheres tendem a respeitar mais o sinal vermelho.

Os homens aproveitavam mais aquela fase de mudança entre sinais (quando estão todos necessariamente vermelhos), ou quando não vem carros, para passar o cruzamento, as mulheres ficavam à espera do verde, e arrancavam com o restante tráfego

Podem achar que passar é mau e manda uma má imagem, e eu concordo com alguns pontos, até já chamei à atenção de alguns ciclistas por passarem em situações completamente estupidas e perigosas, por vezes obrigando carros a abrandar para não lhes acertarem

Mas por favor, não venham dizer, gratuitamente: " Sinceramente acho que não faz assim tanta diferença passar um vermelho ou parar nele."

Porque faz, e em alguns casos é literalmente vida e morte

ps: qualquer dia tenho de juntar os textos e videos e estudos num sitio qualquer para criar uma espécie de "ask ym why i sometimes run red lights*

quem quer contribuir? :smiley:


(António Pedro Figueiredo) #49

eu tendo a cair mais nesta postura
passar um vermelho na frente dos carros penso que só traz mais coisas más do que coisas boas.
Eu faço questão de parar e mostrar que os ciclistas respeitam o CE mesmo que desajustado para a cidade que queremos.

Costumo contudo arrancar quando fica vermelho para os peões. Não deixa de ser uma ilegalidade mas defende-me dos arranques dos carros nas minhas costas pois levo já algum avanço.

E a mensagem já passou quando aguardei parado no vermelho. :wink:


(Daniel Garcia) #50

há casos em que indo por uma ciclovia que atravessa um entroncamento sinto mais segurança passando o vermelho do que no verde, por exemplo:

aqui normalmente espero que passem todos os carros do lado esquerdo e passo no vermelho, no verde é muito mais perigoso e estou sempre a ser buzinado


(Mário Alex) #51

Dantes passava os vermelhos até o dia em que um polícia me repreendeu verbalmente.
:wink:

Espero que não seja mais um tópico em que cada um vai dizer o que faz…!
Vamos pensar mais global. Se está e foi comprovado por variadas vezes, por variados estudos de variados países que há benefícios em os ciclistas não se regerem pelos semáforos dedicados ao trânsito automóvel, podendo e devendo passar com precaução os vermelhos ou as bicicletas terem próprios semáforos dedicados que permitam um tempo de paragem inferior aos dos carros com vista a aumentar a rapidez e a sua segurança face aos automobilistas (dependo das situações, não generalizando e conforme possa vir a ser legislado e regularizado), então é isto que deveremos em sintonia discutir.
Para além desses estudos desses países se há aqui entre nós um consenso que defende ou pelos que vê realmente uma mais valia e uma benece este tema dos vermelhos, que avancemos então com as nossas energias para que possamos tentar alterar o presente perante as instituições que podem o alterar.
E para uma discussão saudável, todas as opiniões deverão ser bem vindas mas não queria que este tema sensível se esgotasse nas experiências individuais.


(Ana P.) #52

Err… Não é o não passar no vermelho que mata mais mulheres do que homens, é o circular encostado à direita dividindo a via com carros e camiões.

As mulheres confiam na tinta e no semáforo, os homens reduzem mais o risco dos right hooks antecipando o verde, ou passando mesmo o vermelho.

A solução para os right hooks não é passar os vermelhos, pois isso traz outros riscos, é circular em posição primária e NÃO DIVIDIR A NOSSA VIA DE TRÂNSITO COM VEÍCULOS MOTORIZADOS.

Há razões legítimas para tratar alguns vermelhos como sinais de perda de prioridade, mas o gancho à direita não é uma delas… a não ser com eventuais ciclovias não controladas por semáforos.


(Rui Martins) #53

Marginal à discussão mas central ao Fórum é muito bem vinda a observação a favor da discussão do tópico em detrimento do contarcomo é que eu faço, a menos que essa experiencia ilumine a discussão

Boa Mário


(Miguel Araujo) #54

Pessoalmente, defendo que a sinalização deve ser respeitada. A convivência das diferentes formas de locomoção é saudável quando existem regras, e a sinalização é a regra.
Nas cidades, quando o passeio é grande, deveria ser opcional a utilização do passeio. Apresento um exemplo na minha cidade, Braga, na Avenida 31 de Janeiro.
A sinalização para os peões, neste caso, regularia também os utentes da ciclovia.


(José Miguel Ramos Modesto) #55

A mim preocupa-me que ainda se preocupem muito com o que os ciclistas fazem ou deixam de fazer na estrada…
Este fim de semana de Páscoa morreram mais 6 pessoas na estrada. Seis famílias choraram a perda de um ente querido. Esta quadra que devia ser feliz, fica para sempre marcada de negro para essas famílias. Mas é deixar andar. É na boa.

Eu por mais vermelhos em que pare, não me sinto mais respeitado por isso… nem vejo porque raio me tentam incutir a responsabilidade de, como ciclista, dar um bom exemplo, ao mesmo tempo que se esquecem de tudo o resto… porque é que não me vêm dizer o mesmo enquanto peão ou enquanto automobilista? Sou isto tudo também.
Como peão nunca espero pelo verde. Só é grave quando o faço em cima de uma bicicleta? Mas não vêem mesmo qual a mensagem por detrás?

Alguém disse aí que é por causa não sei do quê que anda aí uma guerra na estrada.
Eu acho que é precisamente por se desculpar tudo a quem anda aí de “arma” em punho. Esse discurso de respeitar todas as regras para que não nos façam mal (não há mauzinhos a causar acidentes… apenas há coitadinhos que os sofrem e é porque se expõem), só ajuda a que os automobilistas se sintam com mais razão e mais apoiados quando passam em excesso de velocidade a razar alguém numa bicicleta. E eu, como ciclista, sinto que andam a pôr a minha segurança em causa cada vez que vêm com um discurso desses.


(Pedro Sequeira) #56

cada vez que passas um vermelho é impossível, quase por definição, levar 1 right hook, claro que convém não levar com 1 carro em cima no processo xD

repara que quem diz “nunca passes” tá sempre em desvantagem na discussão, porque falam em absoluto. é como dizer “todas as maçãs são vermelhas”

a nós, que decidimos caso a caso, basta encontrar uma maçã verde para “ganhar” o argumento

aqui é na Av. Republica. Os carros lá atrás estão parados num vermelho que o autor do video talvez tenha passado (ou se calhar desmontou da bici, passo a pé, e montou-se, mostrando a todos que respeita as regras :stuck_out_tongue:


(Pedro Sequeira) #57

há exemplos na ciclovia da F.P.Melo em que a posição na via nem interessa. e os ciclistas tem 2 escolhas, ou cedem passagem aos peões, e passam a intersecção com 0% probabilidades de right hook (e sem qualquer veiculo a atravessar na frente, só existe mesmo a passadeira de peões

ou arrancam no verde, e arriscam-se…

mas o exemplo da posição na via é excelente… mas eu já o fazia, e recomendava, antes da revisão do CE… e não me preocupava muito que os automobilistas achassem que eu não estava a “respeitar para ser respeitado”

o mesmo hoje em dia na faixa bus :slight_smile:

safety first


(Pedro Sanches) #58

Disseste tudo. :clap:


(Ana P.) #59

O meu comentário visa apenas reiterar que passar vermelhos não pode ser justificado com o evitar ganchos à direita, pois estes são causados por um mau posicionamento na estrada. Claro que se estás numa ciclovia que te obriga a esse mau posicionamento as estratégias têm que ser adaptadas a essa realidade, e aí sim, passar um vermelho pode ajudar-te a evitares mais facilmente um gancho à direita.

Passar vermelhos viola normas sociais, ninguém gosta de chicos-espertos, o que aumenta a probabilidade de os tipos que ficaram no vermelho e te viram a passá-lo terem menos vontade de te ultrapassar como deve ser quando te apanharem mais à frente. Dado que os ganchos à direita são facílimos de prevenir - sabendo - mas as rasias não tanto, passar o vermelho com gente a assistir pode nem sempre trazer as vantagens que esperamos.


(António Pedro Figueiredo) #60

totalmente de acordo.


(Pedro Sequeira) #61

Será que também concordam se eu disser:

Andar na faixa bus viola normas sociais, ninguém gosta de chicos-espertos, o que aumenta a probabilidade dos taxistas nos fazerem razias, ou dos condutores de autocarro. Ou dos passageiros que vão ali empatados por uma bicicleta e portanto ganham ódio para quando forem a conduzir os seus carros.

OU

Ocupar a via viola normais sociais (ainda hoje, que pouca gente sabe que é legal, e violava a lei antes da revisão do CE). O que faz com que os condutores tenham menos vontade de nos dar espaço na ultrapassagem (reparem que esta é exactamente a interpretação que o Freire faz deste tema, e na minha opinião o paralelismo é muiiiito semelhante à questão dos vermelhos)

Mas depois a diferença para mim é:

Eu se me imaginar como condutor analfabeto do codigo e das bicicletas, preferia muito mais ver um ciclista a passar um vermelho na minha frente, de preferência ASAP para ver se desaparece ou se vira numa intersecção qualquer poupando-me a manobra de ultrapassar

Do que um chico esperto que filtra os carros todos, ilegalmente, coloca-se na minha frente, arranca no verde, e bloqueia-me a via a 15km/h

Muito chato se for via única, mas também se forem p.ex. 2 vias mas a da esquerda tiver muito trânsito e prevenir que eu o ultrapasse

Não acham que faz sentido? :wink:

De qualquer forma, o que eu gostava mesmo era que houvesse um consenso de que sim, há vantagens em alguns casos, porque antes dos ciclistas concordarem com isso não vamos ver sinais de cedência como em Paris.

Se fossemos todos como o Freire na questão da ocupação da via não sei se o CE teria mudado essa parte :wink: