Redução do IVA para bicicletas, será desta?


(João Almeida) #61

Por isso é que este ano a MUBi lutou e conseguiu que fosse aprovado o incentivo para a aquisição de bicicletas eléctricas, sempre ajudam a vencer os desníveis.


(Three) #62

Errado, primeiro porque esses “colegas” nem sabem que tu existes e porque aquilo que a Europa se propõe fazer vai reduzir o nosso nível de vida a patamares do séc. XIX enquanto os Asiáticos continuarão a absorver toda a economia mundial. Literalmente a Europa ficará insignificante, um museu vivo que será visitado por Asiáticos ricos e sem preocupações ambientais. Lamento mas isto é uma questão de sobrevivência!


(João Almeida) #64

Enfim, nem preciso de usar palavras minhas:


(Aónio Eliphis) #65

Bicicleta elétrica?


(José Miguel Ramos Modesto) #66

A questão da subidas é, na maioria dos casos, falaciosa. Lisboa provou-o.


(António Pedro Figueiredo) #67

Não é verdade. Eu se não tivesse comprado a eléctrica não conseguia neste momento andar quase exclusivamente de bicicleta (tb uso TP e Uber). Levo o meu filho de manhã à creche na Graça (uma colina) e trabalho em Alcântara com necessidade de passar no Lumiar, Ajuda e Saldanha vários dias na semana.

A eléctrica para muita gente poderá ser a diferença entre andar de carro ou de bicicleta.

Lisboa não provou nada ainda. Segundo o inquérito de mobilidade passamos de 0,2% para 0,6%. Tirando os mais que famosos 500m da Avenida da Republica, o uso continua a ser muito tímido. A CML aínda não conseguiu dar soluções (infraestrutura segura) nos eixos principais.
Se temos as entradas já em parte asseguradas (campo grande - Saldanha; ciclovia Belém Cais do Sodré, ciclovia prq das Nações - terreiro do paço) as ligações dentro da cidade estão ainda por tratar. Ex: Almirante Reis, avenida de Roma, Av gago Coutinho, estrada de Benfica, Alameda das linhas de torres. )

É preciso continuar a apoiar mas sobretudo a pressionar para que a CML cumpra a sua obrigação: dotar a infraestrutura rodoviária da sua responsabilidade de condições de segurança para todos os utilizadores que nela estão autorizados a circular. (Com destaque para os mais vulneráveis que são igualmente os mais esquecidos desde a hegemonia do automóvel no espaço urbano- peões e ciclistas)


(José Miguel Ramos Modesto) #68

Claro que é verdade. A questão das subidas sempre foi uma falácia. Tornou-se ainda mais falaciosa com o surgimento das bicicletas eléctricas. A maior parte da cidade sempre teve uma inclinação perfeitamente transponível por qualquer pessoa dentro dos padrões medianos, e tudo o resto está conquistável com as bicicletas eléctricas.
Passámos de 0,2% para 0,6%. Isso correspondente a um aumento de quantas dezenas por cento? Lisboa está a mostrar a todos os concelhos deste país (é pena que alguns estejam completamente a dormir… como o meu) como é possível com a infraestrutura certa. A solução já deu resultados muito positivos. Agora é continuar a apostar nela.


(Mário Alex) #69

Não ter carro nunca, mas nunca me privou mesmo de fazer as minhas viagens ou as minhas visitas aos familiares, amigos, etc (a falta de vontade sim!).
No dia que isso acontecer, é porque estarei mesmo mal…
E desculpem-me falar na 1ª pessoa que detesto.

http://marioallex.blogspot.com/


(Marta) #70

Com bicicletas tradicionais (sem motor) não é falácia não. Percurso para o trabalho, mesmo que seja plano, há algum esforço físico. E eu, desculpe lá, não tendo sequer possibilidade de tomar banho no trabalho, seria impensável ficar o dia de trabalho suada. Para mim só isto é motivo mais que suficiente. Depois, tendo que levar crianças à escola, se elas até já andam bem de bicicleta, aqui (e na maior parte de Lisboa e arredores) não há segurança, partilhando a estrada com gente stressada para chegar ao trabalho (mea culpa também, a pressa! mas tenho muito respeito pelas distâncias de segurança com os ciclistas.) Assim, ando de carro com as crianças.
Perdoem-me o off topic: Aqui faço muito a analogia de andar com filhos bebés no sling/pano (não sei se sabem o que é). Tive um sling, cheguei a sair com 1 filho no sling, mas para mim verificou-se pouco prático: se tinha de ir ao supermercado, andar com vários kg a tiracolo mais 2 sacos de compras, não! Não deu, erra, para mim, peso a mais. Para passear: andar com vários kg a tiracolo, mais mochila com meus documentos/portamoedas, e alguns (poucos, acreditem!) objetos do bebé para uma muda da fralda, verificou-se tanto peso que simplesmente ficava de rastos, e eu ir à casa de banho com um bebé no sling? hein? Quanto não me valeu um carrinho de bebé! Além do bebé, levava mochila e sacos de compras!
Voltando ao tema. Vivo agora numa cidade pequena, apesar de ser capital de distrito (se é que isso vale alguma coisa). E também digo que ter só ciclovia no perímetro quase urbano, servirá poucas pessoas, pois muitas tb vivem nos arredores, servidos por estradas nacionais, onde nem há muita possibilidade de executar passeios, quanto mais ciclovias dedicadas… E aqui parece-me que para mostrar à população que usar bicicletas é viável, será necessário muito mais que apenas executar ciclovias, terá de haver acções muito dissuasoras do uso do veículo automóvel, que simplesmente não vão acontecer nos próximos anos, senão, no mínimo, o comércio do centro da cidade “roda a baiana”…


(Marta) #71

Óptimo para si. Mas parece que habitualmente passeia sozinho e, além disso, o ciclismo “faz parte” da sua vida. Isso é excelente, um modo de vida bastante saudável até. Mas não é o meu. E atrevo-me a dizer que não é o modo de vida da esmagadora maioria da população, que não abdica de todo de possuir um carro, mesmo que só o use em lazer. Não funcionaria comigo (e minha família) não só porque habitualmente (95%) das minhas deslocações em lazer não são realizadas sozinha, mas em família, de 2 adultos e 2 crianças, como também com frequência tenho necessidade da capacidade de carga que uma bicicleta não tem (em particular quando vou às compras, quando vou a casa de familiares e trago “géneros alimentares” em quantidade e também quando viajo com pernoita), o que inviabilizaria a ida de bicicleta, ou a tornaria muito penosa, vá.
No caso da mobilidade urbana “suave” julgo que defender o extremo, da eliminação dos automóveis, é má. No meu lazer até nem circulo assim tanto em área urbana, ou descolo-me entre cidades, por ligações… não urbanas.
Eu, a minha família, usamos e pretendemos continuar a usar o automóvel, nunca iremos abdicar dele. E a utilizar um modo de me descolar “suave” será quase exclusivamente de e para o trabalho. Só. Este modo de transporte para mim é complementar ao automóvel, para deslocações urbanas, em determinados horários. E talvez serão pessoas assim como eu, que utilizam o automóvel, que podem aumentar o n.º de utilizadores de bicicleta/trotinete, em determinados percursos (centros urbanos em particular), em horários até muito específicos. E isso seria bom, julgo eu, este aumento acontecesse.
E porque não tomar medidas dissuasoras do uso de automóvel em horários específicos???
Pronto, mas uma reflexão muito extensa, perdoem-me.


(Luís Marques) #72

@martassm, ainda não percebi muito bem o intuito das suas intervenções.

É demonstrar como não tem possibilidades de ser o público-alvo de activismo como o da MUBI?
É listar extensivamente todas as razões - relevantes, creio - pelas quais não pode nem quer prescindir do automóvel?
É tentar fazer lobby junto do nosso lobby para que, caso tenhamos mais sucesso, poder mesmo assim manter o mesmíssimo estilo de vida?

Já estou nisto das bicicletas na cidade há anos, e se há reacção que nunca muda é a das pessoas absolutamente apavoradas de serem privadas do automóvel.

Esteja descansada, @martassm. Como a senhora são dezenas de milhar e é absolutamente impossível convencer-vos.
Por, mim falo, creio que é preferível procurar convencer outras pessoas que têm possibilidade e vontade real de alterar a sua mobilidade.

É uma abordagem mais eficiente, creio.


(Mário Alex) #73

Oh minha senhora, se já tem a sua cabeça de ideias tão feitas, para si e para a sua família, só resto desejar-lhe boa sorte e boas festas!
E obrigado pelo seu ponto de vista e falar das suas experiências em mobilidade e outras.


(José Miguel Ramos Modesto) #74

@martassm pois olhe… eu acho que não deve ter percebido ainda mas… a maioria das pessoas não tem uma bicicleta eléctrica, tem uma bicicleta convencional. Usam-na para ir para o trabalho. E surpreenda-se com esta: não ficam suados!

Eu subia todos os dias do Cais do Sodré ao Marquês de Pombal numa pasteleira em aço… porque é que haveria de suar? Aquilo são 15 minutos a andar nas calmas…
E há muita gente que usa a bicicleta e tem crianças, por ser uma forma de poupar dinheiro e (mais importante) tempo. Não é o meu caso. Mas se tem algum interesse em adoptar mais esse meio de transporte na sua vida, terá de ser mais open-minded em vez de enumerar tantas objecções. Procure soluções, não obstáculos! A generalidade das pessoas que diz que não dá para andar de bicicleta na cidade, nunca o experimentaram… ou então quando o fizeram, desataram a pedalar à maluca como se fossem correr o tour de França.


(João Almeida) #75

@ZeM enganaste-te na interlocutora.


(Marta) #76

Talvez não tenha explicado bem o meu ponto de vista. Ou então não.
Eu tento resumir: trabalho numa cidade pequena, mas com muito trânsito para entrar no núcleo urbano central, onde muitas pessoas trabalham, incluindo eu. Julgo que as cidades, em particular os centros urbanos, podem ter menos trânsito, menos quantidade de carros, especialmente nas conhecidas “horas de ponta”. E acho que se as pessoas que diariamente fazem estes percursos podem fazê-lo com meios “suaves” (seja bicicleta, eletrica ou não, e outros meios análogos), incentivadas com infraestruturas e com medidas de funcionamento (proibir carros no centro, ou certas ruas, estacionamento no centro da cidade caro, mais TP). Mas considero que quando defendem que os carros deviam ser abolidos de todo, pois aí considero que já é extremista.
Apesar de não abdicar do carro, saber que há bicicletas electricas (Obrigada IPL) que podem tornar a minha viagem diária para o trabalho mais rápida e prática (pela qeustão do estacionamento) foi o click que me fez considerar deixar de vir de carro. E talvez possa acontecer o mesmo a outros automobilistas.
Se houvessem melhores percursos, mais seguros, melhor ainda.
Tenho aprendido imenso com o que tenho lido aqui no fórum.
Mesmo sabendo que não irei deixar de me deslocar de automóvel totalmente (já expliquei porquê), sou a favor da mobilidade suave em diversas deslocações, e em particular do tipo que mais quantidade de carros trás à cidade: percurso casa/trabalho/casa.
Será que penso mal? Será que estou a fazer lobby pelos automóveis? Será que assim não me enquadro neste movimento?
Espero ter conseguido ser clara.


(José Miguel Ramos Modesto) #77

Não, nada disso. Mas parte já com uma série de ideias pré-concebidas… e que parece manter de forma muito sólida. Tem que flexibilizar mais a forma de pensar.

Onde leu que os carros deviam ser abolidos?


(Luís Marques) #78

Eu também tenho carro. Não prevejo desfazer-me dele, porque me é conveniente usá-lo metade dos dias da semana, quando tenho de me deslocar fora de Lisboa.

“defender que os carros devem ser abolidos” é algo de que nos acusam frequentemente. É uma estratégia muito eficaz e comum nos tempos populistas que corremos. E como qualquer outra estratégia populista, nasce do medo de algo que nos altere a zona de conforto, e envolve colar aos outros a imagem de fundamentalismo.

“Abolir carros” não só é impraticável como não é o que se defende por estas bandas. Por aqui defende-se que a outros meios de transporte mais eficientes e menos poluentes devesse ser dada a mesma prioridade que se deu ao automóvel particular ao longo de 50 anos.

Isso provavelmente levaria a que menos pessoas colocassem automóveis em circulação, sim. Não é de todo o mesmo que “abolir”, nem lá perto.


(Marta) #79

então acreditqamos no mesmo. :slight_smile:
Eu ainda não consegui ultrapassar a barreira da chuva. Porque tenho medo da estrada muito molhada, não arrisco quando chove mesmo. Já andei com piso molhado. Devagar e muita precaução.
Hoje, numa das estadas estreitas que passo, onde não dá para um carro ultrapassar uma bicicleta/trotinete quando há carros a circular no outro sentido, um ultrapassou-me deixando menos de 50cm de distância. E ele deve ter pensado que quem estava mal era eu! Como agir? Será que devo circular não próximo da berma mas mais no meio, já que não conseguem ultrapassar com a distância de segurança (fila de transito no sentido contrário, nunca teriam espaço)? Bem sei que isto é o “normal” infelizmente…


(Three) #80

Pois parabéns por não suar, devem ser genes tropicais, infelizmente os meus são nórdicos e portanto perco 1 litro de suor aos 10 km mesmo pedalando a direito. Azar o meu!
Claro que não vou comparar com certos bicharocos que não possuem glândulas sudoriparas e que portanto não suam.


(Luís Marques) #81

Além das diferenças normais do foro endocrinológico, também é um factor a falta de forma física / peso a mais de algumas pessoas (60% dos portugueses são obesos ou em risco de obesidade), o que pode transformar para essa pessoa o que seria um simples passeio num esforço sobre-humano.

É questão de decidir como se pretende resolver essa questão: ir antes de carro e fazer mais uns furos no cinto, ou continuar a pedalar.