A caminho do inferno ao volante de um SUV

A caminho do inferno ao volante de um SUV

No cáustico High and Mighty: The Dangerous Rise of the SUV (2002), Keith Bradsher traça, com base nos estudos de mercado efetuados pelos fabricantes, um perfil nada caridoso (e talvez demasiado assertivo) dos condutores de SUVs nos EUA: tendem a ser “inseguros e frívolos […] nervosos em relação ao casamento e desconfortáveis em relação à parentalidade […] inseguros quanto aos seus dotes de condução […] auto-centrados e narcisistas, com escasso interesse pelos vizinhos e pela comunidade […] e a ser mais atraídos por bons restaurantes do que pela condução fora da estrada.”
(…)
Bradsher afirma que, em situações de colisão, cada vida salva num SUV causa cinco mortes nos outros automóveis.

Menciona bicicletas no fim e tem comentários de conhecidos participantes neste fórum.

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é uma peça jornalística de grande nível…

Alguém conhece o autor?

Felizmente este discurso já começa a chegar ao grande público

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Vale bem a pena ler o artigo duma ponta à outra. O texto está pejado
duma ironia muito fina. :slight_smile: E a conclusão com a referência à bicicleta
como meio de transporte está excelente.

Ainda bem que começam a aparecer artigos deste género nos meios de
comunicação social. Há alguns anos atrás era impensável…

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Encontrei esta biografia do autor do artigo:

https://jcfernandes.carbonmade.com/about

Nunca pensaria que o autor deste artigo tivesse mais do que 40 anos. :slight_smile:
É bom sinal.

É um excelente e detalhado artigo. Traduzido, parece-me.

Este aqui dele também muita bom:

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Essa da urina no banho ultrapassa todos os limites do aceitável. Se as pessoas gastam água ou luz; não pagam por ela? Que raio! @JoaoBernardino estou cada vez mais liberal :slight_smile:

Se acham que temos um problema de falta de água ou de excesso de consumo de eletricidade, aumentem o preço da água e da luz, não digam às pessoas que lâmpadas têm de usar em casa ou que têm de fazer chichi na banheira.

Por isso é que, após anos de ativismo pro-bicicleta, não me paro de convencer, que só políticas de aumento de preços dos combustíveis, conseguem realmente ser eficazes.

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bom artigo @JoaoBernardino, que também reporta partes ao artigo do @MarioJAlves

Esta parte está demais :smile:

Numa entrevista recente ao Expresso (04.07.15), quando lhe
perguntaram qual era o principal objectivo da sua vida, Arnold
Schwarzenegger respondeu estar “empenhado numa causa ambiental que
garanta um mundo limpo, verde e sustentável no futuro […] Sete milhões
de pessoas estão a morrer a cada ano por doenças directamente causadas
pela poluição. Acho que podemos fazer melhor para mudar isto. É esta a
minha cruzada.

Arnold Schwarzenegger ao volante do Mercedes Unimog que adquiriu por 250.000 dólares em 2012 (e que, entretanto, pôs à venda)

Ӄ uma cruzada que Schwarzenegger tem combatido com
exemplar abnegação ao volante de um dos seus SUVs Hummer, de um
Mercedes Unimog custom de cinco toneladas ou de alguma das
outras “bombas” da sua colecção de veículos (que inclui, ente outros, um
Porsche 911 Turbo, um Mercedes SLS AMG, um Bentley, um Ferrari e um
tanque M47 Patton).

A pegada de Schwarzenegger quando se desloca pelo ar não é menos
impressionante: durante parte dos mandatos como governador da
Califórnia, Schwarzenegger fez diariamente 2 x 580 Km entre a sua mansão
em Brentwood, nos arredores de Los Angeles, e a capital estadual de
Sacramento. Uma hora de voo num Gulfstream tem o impacte ambiental
equivalente a um ano de uso médio de um automóvel utilitário – um grupo
ecologista estimou que Schwarzenegger consumiu nestes trajectos
casa-escritório 4,3 milhões de litros de jet fuel.

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João, a tua reacção ao “chichi no banho” fez-me lembrar a reacção da
maior parte das pessoas quando lhes falam em usar a bicicleta para as
deslocações urbanas. :stuck_out_tongue: Os automobilistas também acham que já que
pagaram o carro, pagam os impostos, o combustível, o estacionamento…
Têm todo o direito a conduzir 100 metros para irem ao café da esquina.

“[…] a mudança de estilo de vida é a única forma de evitarmos a lenta
mas inexorável degradação do planeta – mas é a essa mudança que
resistimos com todas as nossas forças e manhas.”

De qualquer forma o “chichi no banho” é apenas um ponto de partida do
artigo para mencionar problemas bem graves e complexos que teremos que
enfrentar mais cedo ou mais tarde.

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Neste ponto discordo completamente @Paulo . A visão de que temos de nos intrometer na vida pessoal de cada um, dizendo como cada um a deve levar, ultrapassa no meu entender os limites do razoável. Mais uma influência da minha visão holandesa.

Nas economias de mercado, a regulação dos comportamentos faz-se pelo custo.

No caso da mobilidade faz-se também pelas infraestruturas urbanas. Se reduzisses as vias alocadas ao automóvel nas nossas cidades, e desses condições efetivas de segurança para se andar a pé ou de bicicleta, as pessoas viriam para a rua de bicicleta. Confesso (não é nada contra ti acredita :slight_smile: ) que me repudiam as visões paternalistas de políticos e ambientalistas sobre como cada um deve levar a sua vida pessoal.

Se eu uso holofotes em casa em vez de lâmpadas de LED, não pago por cada wh dessa energia? Mas por que carga de água o Estado tem de se intrometer nas lâmpadas que eu uso nos candeeiros ou na água que eu uso. Se achamos que há um problema ambiental na escassez de recursos - e há - aumentem os preços dos mesmos que a frugalidade no seu uso virá.

Como fervoroso ambientalista que sou, confesso que tudo isto é um enorme sofisma. Duplica o preço da gasolina e vais vê-los às resmas a pegarem nas bicicletas.

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Belo cartoon :):slight_smile:

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Parece que uma capa da imprensa alemã trocou as voltas ao pessoal que adora SUVs:

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Um desses SUV atropelou mortalmente 4 pessoas em Berlim este mês. Na mesma notícia há referência a uma manifestação com 25000 bicicletas em Frankfurt. O que é um autêntico mar de gente.

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