One cyclist in Lisbon


(Pedro Sanches) #21

Nem a propósito, é mais ou menos assim que tento encarar essas situações.

Às vezes vejo com cada artista a pedalar nas ciclovias, no meio das pessoas, que me fazem lembrar precisamente os stressados do volante (não que considere ser o caso do Onecyclist).


(Miguel Araujo) #22

Também o acompanho.

Tenho pena que durante os 5 anos que vivi em LX não havia praticamente nenhuma ciclovia, agora está com uma rede bem extensa. Chego a Braga, e pouco mais de 8 kms de ciclovia, para os 76 que estão por vir (e tardam a aparecer!).

Temos ainda o problema do aumento de carros no centro da cidade, que tem sido acompanhado pelo investimento em estradas e parques de estacionamento. Em sentido contrário, está o investimento nos espaços verdes e vias pedonais/cicláveis.
Infelizmente temos falta de investimento em transportes públicos ecológicos, muito por culpa da pouca ajuda dos governos. Braga tem uma frota com uma idade média de 19 anos e a precisar de renovação. Foi pedida ajuda, mas não veio dinheiro.

Falta também da parte do governo incentivar a aquisição de meios de transporte limpos (de IVA reduzido), apoiar com um valor monetário superior aos 200 milhões para construção de ciclovias (concorrendo a fundos da UE)… tanta coisa por fazer nas cidades principais (excepto Lisboa, Porto, Aveiro que já estão bem encaminhadas).


(Aónio Lourenço) #23

Do que me lembro de Braga, tal como noutras cidades lusas - exceção a Guimarães - é que tem muitos carros no centro. Vais a Espanha e o cenário muda. Mais pessoas, mais espaços pedonais e mais comércio e não há ciclovias nem jardins. Os carros nos centros urbanos desumanizam uma cidade.


(Miguel Araujo) #24

Vamos esperar por um plano de mobilidade e reestruturação rodoviária e ciclável que foi prometida pelo Ricardo Rio. Aqui é uma terra de promessas mas é para ganhar votos ou pura especulação.


(Vera Diogo) #25

Conheço.
Não sigo muito, pois apresenta algum conteúdo sexista, como por exemplo fazer zoom no peito de um peão do sexo feminino! Absolutamente abominável!
Este exemplo enquadra-se em parte na tal superioridade moral de que fala o Aónio…


(Luís Marques) #26

Creio que lhe podes fazer esse reparo, de forma educada, para garantir que esse tipo de situações não torna a acontecer.

Contudo, creio que já vi todos os vídeos dele, e tenho mesmo de puxar pela cabeça para me lembrar dessa situação em particular, ou de quaisquer exemplos de sexismo no geral.

Vivemos uma altura de mudança na sociedade, para melhor, creio eu. Há situações de sexismo e misoginia que são inaceitáveis. No entanto, deseja-se ponderação nas acusações e análise responsável ao conteúdo.


(José Miguel Ramos Modesto) #27

Honestamente também não me recordo desse tipo de situações… nem me parece estar muito em consonância com o espírito que o canal transmite. Mas admito que possa ser falta de memória…


(Miguel Baptista) #28

Não me lembro de ver nenhum zoom ao peito de “um peão do sexo fem…”, epá, de uma mulher.
Vi sim no meio de uma catrefada de vídeos, 1 zoom (ou talvez 2, não sei) a uma mulher que ele achou particularmente bonita. Não foi ao peito. Foi à mulher. Quanto muito fechou no que em audiovisual se chama um plano médio (da cintura para cima), provavelmente para que se veja melhor a expressão facial.

Sinceramente acho que o politicamente correcto de vez em quando passa um bocadinho os limites do razoável. Espero que um dia não sejamos obrigados referir-nos a uma mulher como “elemento do sexo feminino” e ai de quem tente sequer um contacto visual.


(Three) #29

Foi assim que apareceram as burcas :smiley:


(Miguel) #30

Fico com pena que tenha percebido dessa forma. Na realidade filmei o peito da rapariga pois estava escrito Hard Rock Café, que achei engraçado, e logo de seguida aparece um clip onde me encontro defronte do Hard Rock dos Restauradores. Eu gosto de fazer esse tipo de saltos e faço em peitos de homens, mulheres, animais, cartazes…seja o que for.


(Miguel Araujo) #31

True story. Também vi esse episódio! Gostei foi da forma como abordaste a Polaca LOOOOL. Continua o bom trabalho! Já comecei a filmar as atrocidades na estrada feitas por quem as usa (automobilistas, ciclistas, peões, etc.)

Fica aqui um vídeo de ontem (situação demasiado caricata).


(Vera Diogo) #32

Estou a criticar pois vi dois vídeos com conteúdos sexistas. Provavelmente; estes são mais facilmente recordados por quem mais se sente diretamente afetada.
A minha adjetivação referiu-se ao conteúdo na manifestação livre da minha opinião, sem qualquer insulto à pessoa envolvida. Logo, não considero haver legitimidade para chamadas de atenção quando à polidez da linguagem, nem à sua ponderação.
Sim, fizeram-se conquistas civilizacionais nas questões de género. No entanto, algumas vêm sendo questionadas e colocadas em risco. Por expl, cada vez que uma mulher se candidata a um emprego e lhe perguntam se pretende ser mãe! Por expl, qd se vê publicidade que claramente objetifica o corpo da mulher, ou a relega para o estatuto de cuidadora do lar e da família, ou para a futilidade do cuidado extremo com a aparência.
No âmbito da mobilidade, também há bastantes situações de discriminação de género.
Quando um homem tiver que se preocupar ao deslocar-se em contexto público com a possibilidade provável de ser assediado, porque alguém lhe quer dizer que o seu lugar no espaço público é mais pequeno que o seu, e que tem poder para focar diretamente o seu corpo, opinar sobre o seu corpo, (ou mesmo tocá-lo e violá-lo), terá mais legitimidade para aconselhar ponderação na sinalização e adjetivação de conteúdos sexistas.


(Vera Diogo) #33

Fica a indicação, para que fique mais sensível a estas questões.
Recordo que no vídeo em questão, dizia que parecia que ela, a rapariga(termo tão válido como peão do sexo feminino ou qr outro termo que indique um papel social e informe o género de quem o desempenha), o queria matar. Achei graça a essa parte, pois de facto ela estava com um olhar muito duro que parecia ir na sua direção. Logo a seguir, o zoom no peito, fez-me logo mudar de disposição.
Há um outro vídeo em que coloca uma legenda a dizer “teasing the girls” ou algo do género…só pq passam algumas mulheres à frente ou ao lado da bike…
Acredito que não se aperceba do teor normativo deste tipo de conteúdos. Ainda bem que me respondeu. Fico contente que haja diálogo.
Em resposta a outros comentários, entre o politicamente correto e a defesa de um lugar de paridade, de equidade no espaço público e na percepção e no tratamento da sua imagem vai uma boa distância.
De pouco vale defender direitos dos utilizadores de bicicletas sem pensar nas questões de género, como nas de classe, na defesa do planeta e dos direitos dos animais. O desenvolvimento sustentável só pode pensar-se de modo verdadeiramente integrado. Sem escamotear as desigualdades de qualquer tipo com ironias e displicências.


(Cláudio Coelho) #34

Acompanho o One Cyclist in Lisbon e não me recordo de ver algum tipo de conduta menos própria nos seus vídeos.
Quanto ao possível conteúdo sexista faço minhas as palavras do @mrbaptista

Deixo aqui uma imagem de mais uma mulher cuja imagem foi usada para fins sexistas:

mw-320


(Luís Marques) #35

Verdade. Contudo, compreenda que nós homens, historicamente educados a apreciar mulheres sem consequências, temos uma sensibilidade ainda muito crua no que toca a ver essa diferença.

À semelhança, quiçá, de muitos condutores que ficam olhar para nós feitos bois para um palácio quando lhes exigimos metro e meio de distância numa ultrapassagem.

Da mesma forma como nos é difícil frequentemente sermos pedagógicos nessa situação, entendo que também o seja nas chamadas de atenção em relação ao sexismo ainda endémico na sociedade.

Só lhe quero chamar a atenção para o facto de repudiar o canal base nesses dois casos, é desistir de uma oportunidade de educar. Sou cientista e vejo circunstâncias semelhantes com os negacionistas do aquecimento global, ou os movimentos antivacinas.

Apenas criticar e alienar é contraproducente.


(Three) #36

Que raio significa isto? Que ao apreciar mulheres os homens deviam ser punidos? Não é esta a génese do fundamentalismo Islâmico ? As mulheres que não querem ser vistas que vistam uma burca. Muitas há que fazem questão de o ser.


(Luís Marques) #37

Obrigado pela demonstração da minha afirmação, 3.

Nunca desiludes.


(José Miguel Ramos Modesto) #38

Acho que por vezes se cai um bocado no exagero, e começa-se a ver maldade em todo o lado…
Na cabeça de muitas mulheres, ou de muitas feministas, todos os homens estarão já a meio caminho andado de serem uns porcos… só por serem homens.
Qualquer dia começam os homens a chatearem-se com certas coisas.
Acho que por vezes falta alguma sensatez. Às vezes perde-se a habilidade de brincar.

Repare-se que o “objecto relevante” num dos casos era um logotipo do Hard Rock Cafe numa t-shirt… mas foi precisamente quem chamou a atenção para a ofensa, que reparou estar ali um par de mamas e se focou nisso.

Acho que são coisas que não dignificam a causa…


(Vera Diogo) #39

Repare que no meu cometário à publicação aqui feita sobre o dito canal, eu escrevi “não sigo muito”, ou seja não bani, não repudei, não alienei o canal.

Concordo que há muito trabalho pedagógico a fazer nestas e em muitas outras questões!


(Vera Diogo) #40

Na sequência da frase “ela parece que me quer matar” e o foco no olhar duro e cara de má da jovem, parece-me compreensível interpretar que o dito zoom não tinha como objetivo focar a marca do Hard Rock Café.

Quanto ao resto, estou de acordo, o sexismo tem efeitos nocivos para todos, pois limita a nossa liberdade individual, a expressão da nossa identidade. Todos os estereótipos sobre os homens são absolutamente limitadores, ideias como que homens só por serem homens deveriam ser “fortes”, “duros”, protetores, sempre dispostos ao sexo, hábeis em reparações domésticas, etc…

Nunca foi minha intenção aplicar estereótipos a ninguém. Apenas enfatizar que sendo o sexismo vigente nas nossas sociedades e a dominação masculina uma herança milenar, sou sensível a esse tipo de conteúdos (o foco não foi nas intenções) e considero que se deveria ter mais atenção aos mesmos. Ao ignorar estas questões, está-se ainda que não intencionalmente a contribuir para a perpetuação de estereótipos e de desigualdades.