Auto-estradas Nacionais e Portagens


(Cláudio Coelho) #41

Não querendo “picar” ninguém mas haverá estatísticas sobre a quantidade de portugueses que residem nos grandes centros urbanos vs periferias?


(Three) #42

Simples, em Lisboa vivem 500 000, na periferia (AML sem Lisboa) vivem 2,3 milhões agora adivinha onde está a maioria ?


(Cláudio Coelho) #43

Ok. e há dados sobre quantos desses se movem para dentro dos grandes centros urbanos todos os dias (podemos usar Lisboa como exemplo)?


(Three) #44

Pelo menos 50 % desses 2,3 milhões movem-se em direcção ao centro para o emprego, 500 000 para Lisboa Cidade e os restantes para os parques empresariais da Amadora, Expo, Sacavém, Odivelas, Oeiras, Lumiar.


(Cláudio Coelho) #45

Certo.
Eu coloco esta questão apenas para perceber o porquê de ficar “aborrecido” com as comodidades da Capital. No meu entendimento, salvo melhor opinião, numa cidade onde se movimentam milhares de pessoas e no caso de Lisboa provavelmente quase 2 milhões diariamente é normal que sejam criadas infraestruturas para receber tamanho afluxo e que sejam dadas as devidas condições a estas pessoas. Quem vive em Lisboa aproveita todas as comodidades que o centro criou e lhes oferece. Mas se pensar bem os moradores pagam um preço por estas comodidades e não me refiro apenas ao valor dos imóveis. Os níveis de poluição são altíssimos, o ruído é muito e quase nonstop, são bombardeados com turistas e níveis elevados de criminalidade. Penso que será assim em qualquer parte do Mundo.


(Rui Fonseca) #46

Acho que é precisamente o oposto.

O dinheiro é gasto na construção e manutenção independentemente de quem lá anda.

Meter portagens só serve para essas infraestruturas serem completamente subaproveitadas.

Nós pagamos à mesma. Percebam isso. Só muda o facto de que com portagens o dinheiro foi gasto para meia dúzia de pessoas usufruir.


(José Miguel Ramos Modesto) #47

Olha, descobri recentemente que nem sempre foi assim.

Os custos de manutenção pertenciam ao privado que concessiona e não ao estado… até ao dia que ocorreu aquela mega manifestação de camionistas: a solução encontrada para que não se subissem as portagens, era os custos com manutenções serem assumidas pelo estado.

As portagens existem precisamente para que não tenhamos que ser todos a pagar… para que não tenha que ser mais um peso em todos nós. Mas pronto, há coisas que nós gostamos de subsidiar, especialmente se tiverem a ver com carros.


(Aónio Eliphis) #48

Eu quando habitava em Portugal poderia ter comprado uma vivenda no Cartaxo, mas com o mesmo dinheiro comprei um T1 em Marvila. Mas cada um faz o que bem entender com o seu dinheiro.

E eu já pago o estilo de vida do pessoal dos subúrbios que traz diariamente o carro para Lisboa. Basta leres o artigo que o @jpma citou.


(Three) #49

Incorrecto, o pessoal dos subúrbios é que paga o estilo de vida dos residentes de Lisboa. Aliás é o facto de viverem empregados de Lisboa nos subúrbios que impede que a habitação em Lisboa não suba ainda mais. A concentração dos empregos em áreas onde não existe claramente espaço nem preços compatíveis com os salários pagos para todos esses empregados residirem obriga a deslocações pendulares, tudo o resto é retórica.

O “aborrecimento” vem do facto de quererem penalizar os residentes dos subúrbios a favor dos residentes na cidade apesar de serem aqueles que a fazem funcionar.

O que está ser subsidiado é a actividade de empresas de transporte que por acaso usam carros (camiões) e são as principais responsáveis pela degradação das vias rodoviárias. Meter os carros todos no mesmo saco é enfiar a cabeça na areia! Depois quando fazem a comparação com o transporte ferroviário esquecem-se de estes pagam a via, os outros são subsidiados!


(Aónio Eliphis) #50

Terias de demonstrar que perante a escassez ainda maior de casas em Lisboa, as pessoas não procurariam empregos noutras áreas da AML. Setúbal, Oeiras ou Sintra também são pólos empresariais. Não esquecendo Aveiro, Leiria, Santarém ou Braga. Na Holanda, cujos governos não alinham nessa tua demagogia socialista, a oferta de emprego está distribuída por todo o litoral (ver o que é a Randstat, não a empresa mas a região), porque as empresas também medem os seus custos e sabem que é cada vez mais difícil atrair colaboradores para o centro. Preferem instalar-se na faixa litoral, fora dos centros. Claro que também há bons sistemas de transportes públicos. Mas se introduzissem portagens à entrada de Lisboa, talvez Lisboa deixasse de ser o pólo atractor para tantas empresas cujos funcionários são dependentes do carro. Agora dizeres que são os residentes dos subúrbios que financiam os residentes de Lisboa é completamente ridículo, porque os de fora vêm poluir para cidade de carro, ocupam espaço e pagam a maioria dos seus impostos no município de residência. E mais uma vez, esqueces-te que o pessoal dos subúrbios substituiu tempo pendular por metros quadrados. Nada de mal, cada é livre nas suas escolhas, mas os residentes da capital não têm de ser penalizados por essas escolhas.


(Three) #51

Ah ah ah se existissem empregos nessas regiões não se dariam ao trabalho de ir trabalhar para Lisboa. Lisboa concentra a maioria da oferta de emprego. nada tem a ver com ideologias políticas mas apenas com corrupção. Pergunto por exemplo porque razão a Google se foi instalar num daqueles parques empresariais asquerosos de Oeiras sem TPs? Todas as sedes de concelho possuem parques empresariais equivalentes mas o argumento bacoco da google, uma empresa de TI, foi a proximidade física dos parceiros de negócio. Algo completamente idiota numa área onde tudo é feito remotamente. Em Portugal todas as empresas se querem instalar o mais próximo possível de Lisboa.

É bem real, afinal são os os residentes dos subúrbios que colocam a cidade a funcionar

Claro que ocupam espaço ou querias que viajassem empacotados como porcos?

Mentira, a maior parte dos impostos são pagos a nível central.

Então abdiquem das empresas que lá se instalaram, afinal não podem querer tudo!


(José Miguel Ramos Modesto) #52

Mas a que comodidades da cidade de Lisboa face aos subúrbios te referes afinal?