Como evitar furtos na tua bicicleta?


(Aónio Eliphis) #1

Boas pessoal, este é um tópico que visa responder a algumas perguntas e problemas que assolam muitos ciclistas em Portugal, nomeadamente com o crescendo de bicicletas nas cidades e com o consequente aumento de furtos.

Na vossa opinião:

  1. Qual a melhor marca de cadeados?

  2. Qual o preço a dar por um cadeado, em proporção do preço da bicicleta?

  3. Vale a pena ter dois cadeados?

  4. Onde deixar e não deixar a bicicleta estacionada?

  5. Como prender? Apenas no quadro? Prender também a roda da frente?

Venha o debate!


Páginas de conselhos no site da mubi
(Júlio Caineta) #2
  1. Onguard e Kriptonite. Abus. A decathlon também já tem uns cadeados bons a preços acessíveis. Em qualquer dos casos, esquecer cadeados que sejam meros cabos de aço (são resistentes à tracção mas não ao corte). Escolher um cadeado em U ou corrente de elos (aço), com pelo menos 13 mm de espessura. Também há uns que são mais compactos, com um sistema de desdobrar. Verificar a robustez do canhão (do que vale ter aço maciço de 13 mm se depois a parte que o fecha é fraca).

  2. Costuma-se dizer que se deve investir 10-15% do valor da bicicleta em segurança. Não é raro ver bicicletas de 500€ com um cadeado de 3€ do chinês.

  3. Sim. Para prender as duas rodas, se um não for suficiente. Em alternativa, usar um sistema de bloqueio das rodas (e.g., pinhead). Também é útil ter dois cadeados se for para deixar um no local de destino habitual.

  4. Deixar num lugar visível, onde passem pessoas. Não deixar em sítios que bloqueiem a passagem a outras pessoas. Não deixar em postes que não estejam bem fixos ao chão ou que sejam abertos em cima (e.g., sem sinal).

  5. Prender a roda da frente também. Com um cadeado em U que não seja muito pequeno, é possível prender a roda da frente e o quadro ao mesmo tempo. Ainda no caso dos cadeados em U, tentar ocupar o máximo de espaço possível no interior do U. Por exemplo, caso a roda da frente esteja presa de outro modo, meter o U a apanhar uma pedivela, ou outra parte da bicicleta. A ideia é deixar menos espaço para se introduzir um macaco ou alavanca. Nunca prender só uma das rodas, o cadeado tem que prender sempre o quadro (parece elementar, mas volta e meia vêem-se rodas da frente sozinhas presas a um cadeado).


(António Miguel Martins de Carvalho) #3

O. Não há sistemas infalíveis, é tudo uma questão de tempo e de redução de risco. Ou seja, com o D ou U-lock + cabo (porquê mínimo de 13mm? tenho o Kryptoflex de 10 mm e pensava ser muito robusto), exclui-se uma gama oportunista de larários que procura bicicletas soltas, presas com "fios do chinês quebráveis com um simples alicate, ou com a roda dianteira ou traseira soltas. Assim, aqueles gatunos que poderão levar a nossa bicicleta são os que têm material mais sofisticado, menos subtil, e que não se importam de ficar uns 10 minutos a roubar a bicicleta. Aqui, a estratégia seguinte é a de escolher um local muito visível, por onde circulem muitas pessoas. Por último, deixar a bicicleta à noite na rua, é uma incógnita porque à noite as nossas ruas estão desertas e há muito tempo para levar qualquer bicicleta. Nestas circunstâncias, a solução passa por parques de estacionamento encobertos, com sistema seguro de fechadura e CCTV. O risco não desaparece mas reduz-se substancialmente. E fomenta-se o uso da bicicleta porque ainda há o argumento legítimo de muita gente de que não tem bicicleta porque não tem espaço (seguro) para a ter.

  1. Onguard não conhecia. Kryptonite, sem dúvida. Abus parece ser uma solução mais barata do que a Kryptonite, mas boa relação qualidade/preço. Decathlon: a solução mais barata. Tenho o D-lock que é grande e pesado mas estou muito satisfeito.

  2. 10% a 15% para o cadeado: sem dúvida, uma regra de ouro.

  3. Uso um D-Lock e um cabo de 213cm. O cabo abrange as 2 rodas + quadro e o cadeado tranca o cabo.

  4. Faço eco do que escreveu o Júlio. Saliento que já vi parqueamentos em U invertido (Sheffield) de robustez muito duvidosa (por serem finos). Não prender em propriedade privada (uma questão de civismo). Durante a noite, só em casa/ numa garagem ou num parqueamento encoberto apropriado (que nunca vi em Portugal)

  5. Prender ambas as rodas e quadro: ver link. De notar que é discutível prender-se o selim porque para atravessar os “aros” do selim é necessário um cabo bastante fino que, por si, já oferece pouca segurança. Mas vale apostar num selim sem quick-release. https://www.youtube.com/watch?v=u31bBERIJLs


Estacionar em segurança
(Daniel Garcia) #4

Como fazem quando têm de prender a bicicleta a um entorta rodas? foi a porcaria que instalaram no meu trabalho


(Júlio Caineta) #5

@Daniel_Garcia Já tive de fazer isso (no parque subterrâneo do Colombo). A bicicleta tinha descanso, então meti-a ao lado do entorta rodas, suportada pelo descanso, e prendi-a pela escora (tubo horizontal que vai até ao eixo da roda traseira).

@acarvalho Não tenho nenhum motivo técnico para justificar os 13 mm, só pelo princípio empírico de que mais aço --> mais resistente. É um diâmetro comum nos U’s de qualidade. Referi esse número por ser uma forma rápida de descartar os U’s que às vezes se encontram à venda em lojas que não são de bicicletas (e.g., bricolage, chinês). Se forem muito finos dobram-se com relativa facilidade, usando a própria bicicleta como alavanca (ou então parte-se o canhão, daí também ter referido esse factor).

Já agora, mais duas coisas a considerar.

  1. Não usar cadeados com fechadura por código. Normalmente são mais fáceis de abrir (sem cortar o cadeado) do que os de chave.

  2. Não usar cadeados do tipo “pele de cobra”, como na imagem em baixo. Por dentro têm um cabo de aço que se corta facilmente, e por vezes é possível chegar ao cabo com um alicate, passando ao lado do revestimento em aço temperado.


(Daniel Garcia) #6

nem sequer sabia que tinham estacionamento para bikes no parque, tenho deixado sempre num poste junto a uma das entradas


(Júlio Caineta) #7

Só meti lá uma vez, algures em 2011 ou 2012. Não sei se ainda está lá, era junto ao parque das motas. Lamentavelmente, os estacionamentos à superfície, ao pé da fonte luminosa, também são do mesmo género (a não ser que tenha mudado no último ano).


(Daniel Garcia) #8

ainda é assim ao pé da fonte, mandei lhes email há uns tempos atrás a sugerir para trocarem em conjunto com o manual da FPCUB. respondeu-me supostamente o director do centro a dizer que vai considerado em futuras analises, penso que se mais gente queixar que eles são capazes de trocar


(Aónio Eliphis) #9

Na minha opinião, os abus são bem melhores que os Kryptonite, para a mesma gama de preços. A Kryptonite tem muito marketing (os americanos sabem-no fazer bem), já a ABUS é tecnologia alemã, e bem sabemos que não é só marketing.

Os kryptonite são tecnologia americana, mas são todos feitos na China (eu sei, como os iPhone e são bons), mas usam aço chinês. Mas muitos abus ainda são fabricados totalmente na Europa, com aço feito na Europa.

Não sei se se lembram, até há pouco tempo haviam uns kryptonite que se abriam com uma caneta bic.

Aqui na Holanda veem-se essencialmente abus, é raro ver kryptonite.

Abus easily have the best reputation for quality and reliability. Their locks are extremely well made, perform well in adverse weather conditions and last a long, long time. You can really feel the quality when you hold an Abus lock. Nearly all their locks are double bolted, which makes them more secure. And the steel they use tends to have the best strength to weight ratio.

Perhaps this is to do with where the locks are manufactured. While Kryptonite and OnGuard are US brands that manufacture their locks in Taiwan and China, Abus are a European brand that still manufacture at least some of their locks in Europe.

Whether this makes any difference is debatable. But European steel certainly has a better reputation for quality than Chinese steel.


(PtoMonty) #10

Eu uso um U-Lock da Decatlhon em que prendo a roda de trás ao poste ou u’s invertidos. Depois com uma corrente prendo a roda da frente ao quadro.

Parece-me que a melhore defesa é colocar a bicicleta sempre em locais bem visíveis ao público. Aliar a dificuldade em quebrar os cadeados à visibilidade do local. Se chamar demasiado à atenção o ladrão não vai (provavelmente) tentar roubar.

Não se deve prender naqueles postes de sinalética rodoviária, U’s que estejam presos só com parafusos ao chão também são pouco seguros. Basicamente se estamos a prender a algo que pode ser facilmente quebrado, dobrado, arrancado, etc, não devemos prender!

No final o que interessa é mesmo a sorte (ou falta dela). Nenhum sistema é infalível. Só mesmo levá-la connosco para todo o lado.


(Nuno Prata) #11

Muita gente desconhece algumas maneiras mais simples de bloquear uma bicicleta correctamente. Eu prefiro a maneira Holandesa, com um sistema AXA Defender embutido no quadro da bicicleta (como está aqui https://www.facebook.com/commerce/products/1380537941981535/) e um Axa plug-in (como está aqui https://www.facebook.com/commerce/products/1444090212344744/) para segurar a bicicleta a um poste ou algo do género, podendo chegar até à roda da frente e assim bloquear tudo.

O problema com os Axa Defender é que a bicicleta pode não ter os suportes para o encaixar porque cá em Portugal não estamos habituados a este sistema, mas pode-se sempre comprar um sistema de montagem próprio da AXA para montar em qualquer bicicleta.

Para mim AXA é a melhor marca de cadeados, é a marca que quase todos os Holandeses usam.

Se este for um sistema caro, é melhor comprar duas correntes metálicas numa drogaria ou no AKI e amarrar o primeiro a um poste, ao quadro e à roda da frente e depois a outra corrente é amarrada à roda de trás, ao quadro e, no meu caso, ao meu banco, por ser de pele.


(Filipe Cardoso) #12

Eu aprendi através deste video:

Concordo com o @yield investir 10-15% do valor da bicicleta.

Eu prendo com um d-lock / u-lock + cabo ou corrente revestida a plástico + cabo:

E prendo conforme imagem abaixo:

Alguns príncipios:

  • Verificar se o sítio onde se prende não está fragilizado ou solto. Eu sei que parece ridículo mas a maior parte das pessoas esquece-se de o fazer;

  • Não prendam a sinais de trânsito verticais.
    Para além de não ser permitido é muito fácil tirar a bicicleta puxando-a pela parte de cima do tubo;

  • Não prender a bicicleta em locais com pouco movimento, escondido ou escuro.

  • Acima de tudo, não facilitem. Prender sempre as duas rodas, o quadro e o selim e remover tudo o que é acessório como campainhas, suportes de gps ou camaras e outros. Nunca prendam só as rodas ou só o quadro.

  • Não é regra, mas parto do princípio de que se um ladrão demorar mais de 30 segundos a remover a bicicleta ele opta por outra que seja mais fácil roubar. Existe sempre pessoal que facilita e os ladrões sabem disso.

Mas vejam o video porque o Hal dá-vos boas dicas.


(Daniel Garcia) #13

NÃO PRENDER A PILARETES.

óbvio não é? mas já vi mais que uma vez


(Miguel Valente) #14

Em Amesterdão usava o sistema mais comum por aqueles lados, e que consistia num bloqueio da roda de trás que só se mantém desbloqueado si tiver a chave na fechadura, e uma corrente grossíssima para prender o quadro e roda da frente em conjunto. Quando voltei para Lisboa, quer a bicicleta, quer o sistema de bloqueio revelaram-se pouco práticos, uma vez que, ao contrário de Amesterdão, não deixava a bicicleta na rua durante a noite, e acartar uma bicicleta de vinte quilos, mais uma corrente de mais de três quilos, escadas acima, era complicado. Acabei por comprar uma bicicleta de estrada dos anos 80, em segunda-mão, e, aos poucos, fui-a modificando para utilização urbana. Actualmente tenho um cadeado flexível Abus, que considero mais versátil que um U-lock, e, até ao momento, não tenho razões de queixa.

1- Entre Abus e Kryptonite opto por Abus, por ser europeu e porque tem uma boa relação preço-qualidade.
2 - Não creio que a opção de escolher um cadeado de acordo com o preço da bicicleta seja a melhor, uma vez que posso ter uma bicicleta barata e não querer que a mesma seja roubada, por diversas razões, da mesma maneira que se tiver uma bicicleta de 3.000€ não creio que seja por gastar 300€ em cadeados que vai evitar que a mesma seja roubada. Para mim o ideal é ter uma bicicleta que não seja muito apetecível para eventuais ladrões, e ter um sistema anti-roubo que dê mais trabalho do que outras que estejam nas redondezas. No fundo, a questão de roubo prende-se principalmente com o factor atractividade de revenda e facilidade de furto, pelo que se estacionarmos a bicicleta próximo de outras que pareçam melhores e mais fáceis de roubar, mais seguras estão.
3 - É uma questão que pondero diversas vezes, uma vez que só tenho um cadeado e, pelas razões mencionadas no ponto anterior, dois cadeados tornam o furto muito menos apetecível, para situações de estacionamento diurno em locais com muita visibilidade. Para estacionamento nocturno em ruas ou garagens partilhadas, não há sistemas infalíveis.
4 - Para estacionamento diurno, em locais próprios e com muita visibilidade. Na ausência de estacionamentos adequados, opto por postes que estejam bem presos e cujos sinais estejam, igualmente bem presos, em locais que não atrapalhem a circulação pedonal, e que tenham muita visibilidade. Durante a noite, guardo a bicicleta em casa.
5 - Encontro maneira de amarrar o quadro e a roda de trás em conjunto. O sistema de transmissão da minha bicicleta é de mudanças internas (8), que me custou bem mais do que a bicicleta, pelo que não facilito. Por vezes torna-se difícil estacionar, porque a roda da frente fica com pouco apoio e tem tendência para tombar. Estou a pensar comprar um sistema que mantenha a roda da frente alinhada com o quadro, eventualmente um U-lock pequeno, ou outro cadeado igual ao que já tenho e amarrar o quadro e roda da frente ao estacionamento, nas situações em que é possível.


(Pedro Rolo) #15

As dimensões do poste onde se prendem são importantes.

Depois de me terem roubado uma eléctrica (serrando um corrimão) e de ter passado anos a deixar as bicicletas na rua à noite, as minhas conclusões são:

  • usar uma bicicleta rasca
  • usar um cadeado bom
  • contar com roubos esporádicos de peças / vandallismo - tomando-os como despesas de manutenção
  • prender a um local firme e dificil de cortar / serrar
  • apesar dos cadeados em U serem OK, as correntes para mota de marcas boa (e.g. ABUS) acabam por ser mais flexiveis, permitindo mais facilmente prender a suportes tão ou mais resistentes como a corrente.
  • pode ser interessante ter dois meios de suporte: um pesado para deixar a bicicleta na rua durante a noite e um leve para a utilização durante o dia.

(Aónio Eliphis) #16

Também há soluções criativas como alarmes para bicicletas, que fazendo uso de acelerómetros, e estando discretos, se não forem desbloqueados pelo proprietário, começam a fazer um enorme barulho quando a bicicleta é mexida ou avisando o proprietário através do telemóvel com uma app.


(Manuel Reis Jorge) #17

Fiquei sem elevador no trabalho para subir a bike dobrável. Aluguei numa garagem um espaço diurno para deixar a bicla : 30 eur por mes.


(Three) #18

30 € ? que chulice, são muitos andares?


(Manuel Reis Jorge) #19

São 3 andares, à antiga, com pé direito 3,5m. Decidi transportar o cadeado U e prendê-la na rua. Vamos ver quantos dias até ficar sem roda…


(Rui Fonseca) #20

Escolher locais movimentados e onde haja outras bicicletas parqueadas.

Tentar não ser nem a melhor bicicleta, nem a bicicleta com o pior cadeado.

Pessoalmente uso apenas um cadeado em U que prendo ao quadro e à roda traseira simultaneamente.

A roda da frente fica desprotegida, é um risco que assumo, e o banco está sempre preso ao quadro.