De Almaraz e da questão nuclear

Prezados, mesmo considerando que a ideia poderá ser pouco aprazível, considerando que existe uma correlação histórica entre ambientalismo e anti-nuclear, considerando que a bicicleta é indubitavelmente um meio de transporte sustentável e respeitador do ambiente, julgo que posso expressar, com o devido respeito por todos, aqui a minha opinião sobre a questão nuclear.

Há um documentário sobre a falácia do nuclear, que recomendo que vejam. Dêem o benefício da dúvida:

Mas na prática advoga-se, que “de facto”, ou voltamos todos um século atrás no consumo energético, ou lutar contra o nuclear é na prática advogar mais energia de origem fóssil, visto que as renováveis não conseguem substituir todo o consumo da rede, pelo menos em países com consumos gigantes como os EUA ou China. As barragens também levantam uma série de problemas ambientais e uma rede elétrica, por questões de estabilidade, não pode funcionar apenas a energia eólica.

O automóvel e a poluição do ar provocada pela queima de combustíveis fósseis, mata muitas mais pessoas que o nuclear, mas mesmo muitas mais. Mas tal como num desastre de avião ficamos todos muito chocados com as imagens, o mesmo acontece com os desastres nucleares (dois na História do Homem); mas ignoramos que estatisticamente o avião é muito mais seguro que o automóvel, e que o nuclear mata mesmo muito menos que as energias fósseis.

Acho que precisamos mais uma vez de ser racionais, de apelar ao racionalismo. Nada no mundo é seguro, tudo tem um risco, e está por provar que a energia nuclear envolve mais riscos epidemiológicos que o fóssil, bem pelo contrário, e o fóssil tem sido de longe a alternativa. Já para não mencionar as alterações climáticas de origem antropogénica, também com consequências a muito longo prazo. Reparem que não evoco questões económicas, mas meramente ambientais. O que é e sempre foi um cancro para o planeta foram as energias fósseis, não o nuclear.

Boas pedaladas e desculpem o desabafo em contra-corrente!

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É fugir à questão do António, mas uma cena “engraçada” é q a biomassa é essencialmente lenha queimada em países menos desenvolvidos, onde continua a ser uma relevante fonte energética.

Correto:

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@jmpa

https://youtu.be/N-yALPEpV4w

@Aonio_Lourenco tu conheces a cooperativa Coopérnico e a empresa GoParity?
É onde ponho parte das minhas poupanças. Junta-te à malta.

Estar a promover o nuclear numa sociedade em que cerca 90% dos km percorridos são feitos de automóvel, em que a geração de electricidade a partir de combustíveis fósseis não paga ISP, onde as viagens de avião não pagam imposto ambiental, onde os edifícios não têm painéis fotovoltaicos, onde os automóveis não pagam estacionamento, entre muitos outros exemplos, é simplesmente apelar à ineficiência energética e continuação do status quo. E já agora, desperdiçar dinheiro:

image

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@Aonio_Lourenco e sobre os problemas do nuclear (artigo do mês passado):

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@Aonio_Lourenco e já agora como é que o nuclear resolve este problema - democratização energética?

A sério, vê o ted talk

Já tinha visto essa ted talk.

@Aonio_Lourenco já agora, poupando-te trabalho, podes encontrar aqui essa linha de pensamento.

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A energia nuclear também não é uma solução sustentável. Só tem a vantagem de já existir e não produzir co2, o que é bom nesta fase de urgência climatérica, mas os custos de contrução/exploração e o problema dos resíduos desclassificam-na como uma energia de futuro.

Vocês falam como se as energias renováveis fossem 100% amigas do ambiente. Para teres a mesma produção de uma central nuclear tens de ter centenas de campos de futebol com painéis fotovoltaicos. Onde vais buscar tanto espaço? Aos oceanos? Não, à destruição do ambiente! As eólicas matam milhares senão milhões de aves por ano. E passados 20 anos para onde vai todo esse lixo electrónico? A nuclear exige muitos menos recursos naturais por cada kwh de energia produzida. A objeção ao nuclear baseia-se exclusivamente no medo, puro medo, medo com todas as letras, MEDO! Todos os resíduos dos EUA desde que começou no nuclear cabem num salão de festas.

Li o texto. Interessante mas repleto de falácias como essa do tempo de operação. Além disso as contas que ele faz em relação ao custo são simplesmente falsas pois basta compararmos os custos da electricidade nos países com renováveis e nos países com nuclear. Compara o custo do kwh em França vs Alemanha.

Custo?

Como já disse, o custo da electricidade energia nuclear está mal caculado: inicialmente tinha o interesse de produzir plutonio para os militares. Portanto não se pos o custo da construção das centrais, nem do tratamento quase impossível dos resíduos. As minas de urânio tambem tem impacto ambiental, bem mais que um “rotor” de eolica.
A nova central nuclear de Flamanville já vai em 9mil milhoes de eur e ainda não está acabada!

Em Portugal, não obrigado.

Os nossos políticos são demasiado incompetentes e irresponsáveis.

@Aonio_Lourenco

https://www.publico.pt/2018/10/14/economia/opiniao/menos-mitos-mais-factos-1846011

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Li e é interessante , apenas errou num prognostico: a energia pode ser bem mais barata, como acontece hoje…com as renováveis. As outras só servem para se poder “pilotar” quando estas falham.

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Como é que explicas que em França o custo da energia é muito mais baixo que na Alemanha?

As palavras são bonitas mas os números não mentem

Os países que mais apostam mas renováveis são os que têm a electricidade mais cara. Coincidência?

Não só a França tem electricidade mais barata, como tem-na mais verde e com menos emissões.

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É devido à transição energética: já existem centrais clássicas (gaz, carvão, nuclear…) que funcionam há varios anos , e cujo investimento já foi amortizado. Portanto quando se passa para as renováveis, é preciso investir, daí o preço provisório, mais caro da energia que vem dessas novas centrais. Mas o barato pode saír caro: se colocarmos as consequencias na saude e no clima das centrais com combustível fossil, o que esses estudos não fazem, fica se a ver uma outra realidade.