Ferrovia em Portugal


(Aónio Eliphis) #21

Estavas à espera de quê de um filho de um gasolineiro? :wink:


(Aónio Eliphis) #22

Quero fazer um apanhado de várias dicotomias.

Por favor adicionem aqui, mais dicotomias, entre autoestrada e congénere via ferroviária, para percebermos o fosso. Obrigados

Oeste

Isto é a autoestrada A8

Isto é a congénere Linha Ferroviária do Oeste

Cascais

Esta é a autoestrada A5

Esta é a linha ferroviária de Cascais

Algarve

Esta é a autoestrada Via do Infante

Este é a linha ferroviária do Algarve


(José Miguel Ramos Modesto) #23

Não tenho imagens para partilhar, mas muitos saberão que a linha férrea que liga Lisboa a Faro por exemplo é em linha única!! Não existe uma linha para cada sentido… os comboios passam à vez.


(João Almeida) #24

Bem, Aveiro-Porto tem duas auto-estradas paralelas, a A29 e a A1, enquanto a linha do Norte está assim:

"Nos 32 quilómetros que medeiam entre Vila Nova de Gaia e Ovar, a velocidade máxima que actualmente é de 140 quilómetros (km) por hora, deverá ser reduzida para 120 ou 110km/hora por motivos de segurança devido ao mau estado da infra-estrutura.

Acresce que este troço vai entrar em obras de renovação, o que obrigará os comboios da CP a circular com ainda maiores restrições de velocidade, tornando impossível o cumprimento dos horários actuais."


(João Almeida) #25

As más notícias continuam:


(João Almeida) #26

E depois há destas coisas:

http://www.noticiasdeaveiro.pt/noticias/show.aspx?idcont=49042


(João Almeida) #27

Ferrovia: CIP debate Aveiro-Salamanca

A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) agendou para 19 de julho, em Aveiro, um debate público sobre o investimento na ferrovia, tendo como pano “a solução Aveiro-Salamanca”.

Um comunicado da Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA) informa que estão abertas as inscrições.

A conferência debate tem como tema "O investimento na ferrovia é um pressuposto da competitividade - A solução Aveiro-Salamanca” e irá decorrer no Parque de Feiras e Exposições de Aveiro.

“Esta iniciativa pretende contribuir para o debate público sobre o Programa Nacional de Investimentos 2030”, refere a AIDA.

Entre os intervenientes figuram Mira Amaral, do Conselho de Indústria Portuguesa da CIP, que irá apresentar o tema.

A organização anuncia ainda a presença de Miguel Sanches, da Autoeuropa, que abordará o tema da “logística e o transporte ferroviário imprescindível para competitividade do País” e Jaime Vieira dos Santos, da Comunidade Portuária de Leixões, para falar da “complementaridade do transporte de mercadorias por via marítima e ferroviária como forma de melhorar a competitividade” numa visão integrada da logística.

Luís Cabral da Silva, especialista em Transportes e Vias de Comunicação irá dar conta das oportunidades no âmbito dos QCA 2014/20 e 2021/27.

http://www.noticiasdeaveiro.pt/noticias/show.aspx?idcont=49056


(João Almeida) #28

Assinem, faz todo o sentido.

É uma oportunidade para descentralizar.
Reaproveitar um activo que se encontra parado.
Servir simultaneamente os aeroportos de Lisboa e Faro.
Criar mais empregos no interior.
Reforçar a ferrovia no país.
Facilitar a ligação a Espanha.
Promover meios de transportes mais sustentáveis.

E é possível garantir de comboio um tempo de viagem inferior a 1h30 entre Beja e Lisboa e entre Beja e Faro. Colocam-se lá as low-cost e os charters e a solução tem muito mais vantagens que o Montijo, que nem sequer possui ligação ferroviária.

“Que tipo de operação seria necessária para ser viável? Comboios com que frequência e com que capacidade?”

Por Manuel Tão:

“Marchas T220. Unidades S120 RENFE, ou equivalente Frequência, dependente da oferta de descolagens e aterragens. O S120 ou S130 atingem 250 km/h sob 25 kV 50 Hz. Beja necessita de marchas a 220 km/h para se chegar a Albufeira em 1h20 e a Entrecampos em igual tempo.”

Texto inicial pelo mesmo Manuel Tão:

“É Portugal um “país pobre”? Ou não será antes um país que sistematicamente deita fora oportunidades, de uma forma confrangedora, para já não dizer obscena? O que se passa com Beja e o seu Aeroporto, com uma capacidade equivalente a dois terminais da Portela, por utilizar, enquadra-se, de facto, num país que é gerido por “responsáveis” incapazes não apenas de ver a oportunidade de Beja, mas igualmente desprovidos de ideias, para responder a duas emergências nacionais, como acudir à falta de capacidade aeroportuária em Lisboa, e sobretudo, no Algarve. O Aeroporto de Beja é uma DÁDIVA DA LUFTWAFFE ALEMÃ. Mas ela não apareceu por acaso. Goste-se o não dos Alemães, eles são um povo e uma sociedade que nada faz por acaso, nem tão-pouco ao abrigo de caprichos e interesses pouco claros. Os Alemães, particularmente os militares, são conhecidos pela sua eficácia extrema, no melhor e no pior. Quando quiseram instalar uma base militar estratégica no quadro da NATO, a primeira coisa que eles, Luftwaffe estudaram, foi as ACESSIBILIDADES TERRESTRES ao aeroporto que iriam construir. O Aeroporto de Beja reflete isso mesmo: a Luftwaffe e o seu planeamento, chegou à conclusão que aquele aeroporto teria que ficar a 110/150 Km de Faro. A 110/160 Km de Lisboa, que por sua vez fica a idêntica distância de Monte Real/Leiria, que por sua vez fica na mesma gama de distância da Base de Ovar. Que fica a 100 Km de Pedras Rubras. E esta última a 150 de Vigo-Peinador, que também fica a uma distância algo semelhante de Santiago-Lavacolla. OS ALEMÃES IDEALIZARAM BEJA COMO PARTE INTEGRANTE DE UMA REDE!!! Salta à vista, mesmo para quem nunca frequentou o Instituto de Altos Estudos Militares. Mas, qual teria sido o outro critério em que se apoiaram os Germânicos, para materializarem um aeroporto com duas pistas paralelas de 3 Km cada??? Foi a linha de caminho de ferro, construída pelos Britânicos South & South Eastern Railway of Portugal, e completada pelo Caminho de Ferro do Estado no séc.XIX. Eles olharam para a imensidão das retas que tem aquele traçado, entrecortado aqui ou ali por uma curva de grande raio, com umas “rasantes” de ângulo enorme, e logo concluiram que era de facto a ferrovia que lhes permitia, num caso de guerra, mobilizar rapidamente meios terrestres de apoio à sua base aérea. Isto deveria constituir o ENSINAMENTO de quem herdou, tanto aquilo que os Alemães nos deixaram, como aquilo que os Britânicos nos deixaram. Uns, os Germânicos, ofereceram-nos, com insuperável gentileza, um aeroporto de capacidade gigantesca, que resolve simultâneamente os problemas crónicos de capacidade de Lisboa e Faro. Os outros, os Britâncos, equiparam-nos de uma ferrovia que graças às suas características e proximidade do Aeroporto, tem capacidade de projetar o seu “hinterland” ou Área de Influência para bem mais de 150 Km, a Norte, a Sul e até a Leste, para a Extremadura Espanhola, sendo, neste caso, instrumental para a construção da Euro-Região do Sudoeste Peninsular, ou sejar GANHAR ESCALA, INTEGRAR MERCADOS, NUMA EUROPA SEM FRONTEIRAS. Se isto não é do entendimento de quem governa ou faz por governar em Lisboa, então, parafraseando o Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, arriscamos tornar-nos um “país falhado”. Nenhum de nós deseja semelhante coisa, pois não?”

Um artigo do mesmo senhor: https://www.publico.pt/2017/10/25/economia/opiniao/a-falacia-da-bitola-e-a-ilha-ferroviaria-1790082


(Three) #29

Entretanto temos disto

Como querem promover o transporte público e reduzir tráfego automóvel com medidas destas? Incompetentes! Parece um país Africano.


(Nuro Carvalho) #30

Estamos totalmente de acordo…


(João Almeida) #31

(Daniel Garcia) #32

Já a ligação direta entre Sintra e Alverca, vão acabar os comboios entre as 6h26 e as 9h26. Todas estas alterações devem-se à falta de fundos na empresa, o que não permite a manutenção das carruagens. A CP – Comboios de Portugal assume que “não havendo dinheiro para comprar novas peças, o material que existe tem de ser distribuído de outra forma”.

já não uso a linha da azambuja há cerca de 3/4 anos por isso a minha memoria já não deve estar muito boa, mas estes comboios não costumavam estar com muitas pessoas?


(Three) #33

Costumavam e costumam. Fazem o percurso de Sintra até Alverca. De manhã no sentido Sintra Alverca circulam cheios até à Gare Oriente, no sentido contrário circulam cheios desde Alverca até às estações da linha de cintura (Roma Areeiro, Entrecampos, Sete Rios).
Em termos práticos circulam no limite da capacidade. sendo suprimidos, os restantes, que também circulam cheios, vão ter de absorver estes passageiros. Será infernal.

De uma vez por todas, a rede de TPs está no limite e absolutamente nada está a ser feito para resolver o problema. Como podem transportar bicicletas se nem espaço para pessoas existe? São percursos consideráveis, de Alverca à Expo são 20 km.


(Nuro Carvalho) #34

Ajuda, ajuda-nos, a lutar contra esse flagelo…


(Aónio Eliphis) #35

O governo anterior cortava nas benesses dos maquinistas e estes faziam greve. Este governo corta na manutenção e no material. Mas a esquerda, defensora do interesse público, prefere a segunda opção.


(José Miguel Ramos Modesto) #36

Essa texto é muito bonito mas não explica nada de nada. Confesso que tenho muuuuita dificuldade em perceber essa opção… de que forma seria ela viável? Como pode um aeroporto que fica a 180 Km de distância servir de complemento a um que fica a 0 Km?
Recorde-se que para o novo aeroporto (a existir) o que se fala é que será de companhias low cost, enquanto o da Portela ficará para as outras companhias. Um voo de Beja pode ser mais barato, mas se a isso acrescer o preço do comboio, mais o ter que fazer uma viagem de 180 Km… não estou a ver. Acho que não é eficiente nem competitivo.


(João Almeida) #37

@ZeM, estou sem tempo, para a semana respondo. Mas vê a discussão sobre o assunto no meu Facebook.


(José Miguel Ramos Modesto) #38

Obrigado João.

Entretanto tive a oportunidade de ler a discussão. Acho que há alguns argumentos compreensíveis… mas que no fundo está-se a tentar chegar a uma finalidade em detrimento de um serviço. Que é o desenvolvimento do interior.
Antes de mais permite-me dizê-lo Eu sou Lisboeta, com uma costela alentejana (metade da minha família é do distrito de Beja, a outra metade é do distrito de Faro), e não estou mesmo a ver as pessoas a irem apanhar um avião a Beja quando o podem apanhar em Lisboa… e repara que a área metropolitana de Lisboa são quase 3 milhões de pessoas. Ainda há tempos quis ir num fim de semana visitar um amigo que está a viver no estrangeiro, e para aquele país só há voos directos a partir do Porto e como era só um fim de semana (pouco tempo disponível, portanto) acabei por não ir. Certo é que o Porto está mais longe que Beja, mas o efeito seria em muito idêntico.
Também não me parece que fosse servir bem Faro… repara que o Algarve não é só Faro, é uma região onde a população está muito dispersa e tem muitas cidades de média/média-grande dimensão. Portimão que é a segunda maior cidade do Algarve, é só um pouco mais pequena que Faro - tem apenas menos 8 mil habitantes - e já fica também a 160 Km de Beja. Além de que, a maior parte do turismo estrangeiro que se destina ao Algarve, dirige-se para a zona do Barlavento, ali entre Albufeira e Lagos.

Dito isto, não acho que seja esse o caminho para desenvolver o interior… Eu acho que um verdadeiro desenvolvimento das regiões do interior só se consegue com duas coisas: Ferrovia e Regionalização. Tudo o resto é estar a tentar fazer as coisas a ferro… acho que o aeroporto de Beja nunca iria ter o resultado que pensas.
Fala-se também na questão dos incêndios. O Alentejo muito raramente arde. Não me lembro da última vez que houve um incêndio de grandes dimensões no Alentejo. Aliás, recorrendo um pouco ao exagero, não estou sequer a ver o que é que pudesse arder ali… lol. O problema dos incêndios afecta sobretudo a região Centro (em especial esta) e Norte. Mesmo o Algarve, que comparativamente ao Alentejo já tem muito mais floresta e serra, arde com muito menos regularidade que o Norte e Centro do País.

Não vejo mesmo viabilidade económica na coisa. Agora, se queremos pensar numa questão meramente financeira, acho que há dois pontos em que podemos pensar:

  1. O acréscimo de turismo que o novo aeroporto permitirá, pagará este investimento?
    1.1) Se sim, em quanto tempo, e qual será o impacto (negativo ou positivo) desse acréscimo de turismo no bem-estar geral dos cidadãos nacionais
  2. Lisboa precisa mesmo de um novo aeroporto?

Chamo a atenção em particular para a segunda questão… precisamos mesmo?
Epa, já perdi as contas aos anos em que oiço dizer que precisamos de um segundo aeroporto, mas o que é certo é que também nunca ouvi ninguém explicar concretamente porque precisamos. Pah está bem, podiam-me dizer que com um segundo aeroporto se calhar Lisboa já teria voos directos para o país onde o meu amigo está a viver… mas o país em concreto é Malta… não me parece de todo grave ou urgente que não hajam voos directos para um país como Malta. Sempre que eu, ou amigos meus, queremos ou querem viajar o aeroporto de Lisboa é absolutamente eficaz na resposta (vá… Malta foi a excepção). Portanto, quando se ouve falar na falta de resposta ou de capacidade da Portela, o pessoal refere-se precisamente a quê? (é uma pergunta sincera… gostava de ver materializada a resposta a isto).

Uma das formas de também aumentar a capacidade da Portela é acabar com a ponte aérea entre Porto e Lisboa (acho que ainda são alguns voos diários que se fazem… portanto é significativo!) e beneficiar a ferrovia.


(João Almeida) #39

Sobre os incêndios, o Alentejo também arde, não tanto como na região norte/centro, mas também arde. E com os maiores níveis de temperatura e secura do país, até tem boas condições para arder. Também é verdade que a produtividade primária é menor no Alentejo, pois não há tanta humidade, e logo os matos não crescem tanto. Mas essencialmente, o que distingue o Alentejo do resto do país e que faz com que arda menos, é a organização do território. A posse e gestão das propriedades a sul do Tejo é maioritariemente latifundiária, enquanto no norte/centro de Portugal a regra é o minifúndio. Isto permite ganhar escala e realizar gestão florestal, removendo combustíveis essencialmente através da silvopastorícia nos montados de sobro e de azinho. Mesmo assim, antes dos incêndios do ano passado, o maior fogo em Portugal tinha ocorrido em Nisa em 2003 e não a norte do Tejo. Isto para dizer que se não houvesse gestão florestal no Alentejo, este iria arder muito mais, pelo menos nas condições atuais.

Sobre o aeroporto mais propriamente, atualmente Lisboa está perto do limite da capacidade (há voos a serem rejeitados por não haver disponibilidade de os acolher) e Faro também na época alta. Concordo que não devia haver voos Lisboa-Porto/Porto-Lisboa ou Lisboa-Faro/Faro-Lisboa. Há quem fale na “opção zero”, que é a de não aumentar a capacidade atual. Isso representaria perdas para a economia nacional, pois iria impedir o ritmo atual do crescimento do turismo e de viagens de negócio/mobilidade. Mas é verdade que numa época de aquecimento global, não faz muito sentido estimular o meio de transporte mais poluente que existe:

Como compromisso, acho que a opção por Beja é a mais correcta, porque se investe o dinheiro na ferrovia e não no transporte aéreo. O dinheiro que sobra relativamente à opção do Montijo, poderia ser ainda utilizado para ligar a estação de Entrecampos ao Oriente (ou a Santa Apolónia?) e para melhorar a ligação ferroviária Lisboa-Porto. Assim, o número de voos de/para Portugal poderia aumentar um pouco, mas não em demasia. E ficávamos com uma solução dinâmica, bastava aumentar ou diminuir as ligações de comboios entre Lisboa e Beja e entre Algarve e Beja, consoante a época do ano e a fase do ciclo económico que condiciona o número de viagens áereas.

E sim poderia fixar algumas pessoas no interior, em trabalhos mais directos, mas também em novas oportunidades de negócio como um exemplo que dei de Portugal by Train - The UNESCO Tour, uma ou duas semanas para visitar as capitais portuguesas onde existe património mundial da UNESCO (Évora, Lisboa, Coimbra e Porto).

Já agora, não sei se já conheces: https://en.wikipedia.org/wiki/Degrowth


(José Miguel Ramos Modesto) #40

Certo… criava postos de trabalho… partindo do princípio que tem sucesso. Só não estou é a ver as pessoas a adicionarem 1 hora de duração à sua viagem.

Em relação à gestão florestal do Alentejo permite-me discordar aí de um ponto… certo que são os latifúndios que predominam. Mas não é por isso que não arde. Até porque os latifúndios acabam por se tornar irrelevantes já que… estão todos ao abandono. Não existe região mais abandonada e esquecida que o Alentejo.
Aquilo não arde apenas essencialmente por dois motivos:

  1. por haver muito menos actividade naquela região, fazem-se muito menos queimadas (acho que este ano, com a nova lei, foi a primeira vez que vi no Alentejo fazerem-se queimadas… e ando por lá várias vezes ao ano por acusa da famelga);
  2. Em comparação, existe muito menos de tudo para arder… há muito pouco combustível.