Redução do IVA para bicicletas, será desta?


(José Miguel Ramos Modesto) #21

Eu acho que o valor do ISV também tem muito pouco impacto no desincentivo que cria… acho que funciona (ou deve funcionar) mais como uma compensação à restante sociedade pela decisão que toma.

A mim, reduzir o IVA nas bicicletas, não me aquece nem me arrefece… acho que tem um poder absolutamente negligenciável para atrair utilizadores, e deve ter também um peso completamente risível no OE. Portanto… do ponto de vista macro, acho que não tem efeito nenhum… nem para o bom nem para o mau. Do ponto de vista micro, acho fantástico, adoraria pagar menos por uma bicicleta lool!
Mas também lá está… acho que na verdade o impacto no preço seria perto de zero. Basta até ver os preços praticados por marcas internacionais nos seus sites alojados nos seus países, e os preços praticados em lojas cá… no mínimo são praticamente iguais e frequentemente são mesmo iguais.


(Aónio Eliphis) #22

@Three, excetuando tu que moras em Torres Vedras e fazes todos os dias 30km para ir trabalhar, sabes qual é a média em km das deslocações pendulares da população ativa portuguesa?


(Three) #23

Sim, tenho uma ideia. Não deve ultrapassar os 10 - 20 km, se tanto. Uma boa parte nem meia dúzia de Km faz por dia


(Aónio Eliphis) #24

Sim, quase todos, exceção feita ao PAN :slight_smile:


(Aónio Eliphis) #25

@Three, pois a pergunta era retórica

De acordo com o relatório do INE sobre Movimentos Pendulares de 2003:

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esta é a média na Área Metropolitana de Lisboa

tens aqui outro gráfico dos anexos (pág. 153)

Se reparares a média ronda 20 minutos. E o que é interessante é que, em 10 anos, mesmo após vários milhares de milhões investidos em rodovia, a média não se alterou, ou seja, não passámos a demorar menos tempo, o que representa em termos práticos, no geral, ineficiência, considerando o dinheiro que se “investiu” em alcatrão. Pior, se considerares apenas transporte individual, leia-se carro, a média piorou ligeiramente. @david_vale tens aqui os dados que me perguntaste em tempos, onde tinha ido buscar o tempo médio, tens a fonte aí em cima.

Se considerares que a velocidade média dos movimentos pendulares ronda os 50km/h (valor muito alto, digo eu mas não encontrei fontes para este valor) falamos de uma distância média de 10km, perfeitamente exequível com bicicleta. Se considerares apenas os movimentos pendulares intraconcelhios (excetuando o teu caso), a distância média baixa para metade, ou seja 5km, ainda mais exequível com bicicleta.


(João Almeida) #26

Há aqui uma malta a discordar.


(Aónio Eliphis) #27

@jmpa, eles explicam no artigo porque se opõem

Prop D would increase the fuel tax by 2.5 cents a year for four years, totaling 10 cents. Per the Missouri Constitution, the revenue raised by the fuel tax may only be spent on the costs of collecting the tax, the Missouri State Highway Patrol, and roads and bridges. It also creates the Emergency State Freight Bottleneck Fund.

Ou seja, o dinheiro é para usar unicamente no sistema rodoviário e não para apoiar transportes públicos. Em qualquer caso eu apoiaria, visto que é menos dinheiro que vem dos impostos em geral, e incentiva as pessoas a usar menos o carro. Qualquer análise vinda dos EUA está fortemente deturpada por um sistema de mobilidade completamente carro-cêntrico.

Valores absolutos

Valores per capita


(João Almeida) #28

Então e achas que o nosso sistema não é semelhante ao dos EUA?


(Aónio Eliphis) #29

Na Europa é dos mais similares, visto Portugal ser um país com uma vasta rede de AEs e muitos carros por mil habitantes. Em qualquer caso estamos ainda muito longe, quer pela dimensão da rede (também é um país imensamente maior), quer pela taxa de motorização (nos EUA é perfeitamente normal haver famílias em que é um carro por cabeça).


(Luís L Belard) #30

Nos comentários há estatísticas interessantes sobre o uso do carro, tempos médios de deslocação diária, sugestão de aumento de impostos sobre veículos automóveis e do preço dos combustíveis, eventual futura discriminação (injusta?) das e-Bikes… Tudo informações úteis, incluindo o preço de uma tenda de campismo (suponho que de tamanho XXL visto ter de ser aconchegante para a família Silva poder ir de férias).
Só não percebi se podemos concluir ou não que uma redução do IVA para bicicletas (tema do tópico) é um factor decisivo, ou pelo menos significativo, para pôr mais gente a usar diariamente esse meio de deslocação, nem sei se a MUBi alguma vez tomou posição sobre este assunto.
As pessoas com quem tenho conversado sobre a questão da mobilidade, (e não só de Lisboa), evoca como motivos para a não utilização diária da bicicleta, a descontinuidade das ciclovias ou ciclofaixas, a dificuldade física em vencer certos aclives, o desconforto em dias de chuva (para irem equipados necessitariam de ter vestiário no local de trabalho) e, principalmente (assim a olho serão 90% a dizê-lo), o medo motivado pela falta de civismo, pela ocupação irregular de espaços de circulação e pela velocidade excessiva dos veículos automóveis em meios urbanos e nas restantes vias.
Nem uma referiu o preço das bicicletas como entrave, talvez porque entre o 8 e o 80 haverá um que seja adequado à nossa carteira.

(Correcção: há minutos, ao ler o Comunicado da MUBi de 18 de Outubro, vi que preconiza o “…incentivo à aquisição de bicicletas…”. Portanto a pergunta que deixei no texto acima, afinal tem resposta e é positiva.)


(Luís L Belard) #31

Para quem preconiza aumento dos combustíveis: “O ministro das Finanças disse esta tarde que a eliminação do adicional do ISP na gasolina permite uma redução do imposto em três cêntimos”.


(Three) #32

Obviamente que não, melhorar acessos rodoviários tem um prazo de validade curto. A consequência é atrair mais automóveis e passado algum tempo volta tudo ao mesmo. Apenas a ferrovia não sofre desse problema.

Não necessariamente, existem mais utilizadores em circulação

Depende do perfil do terreno, existem ligações entre povoações de 5-7 km em que tens de subir aos 350 m de altitude e descer novamente para os 60 e digo-te que fazer isso de bicicleta diariamente em todas as condições climatéricas é obra!


(José Miguel Ramos Modesto) #33

Na minha opinião, 10 Km de bicicleta para o trabalho é claramente muito para a generalidade das pessoas. É preciso ter uma forma física minimamente decente e que o percurso seja simpático para que não se chegue suado. Mas 5 Km já se faz bem para a maioria das pessoas, mesmo que hajam algumas subidas.

A questão das subidas aos 350 m acaba por ser uma falsa questão… se se tem que descer depois, então existirá sempre forma de contornar (fazendo um desvio um pouco maior) para apanhar subidas mais suaves. O truque, costumo dizer, não é evitar as subidas, mas sim evitar as descidas.

Mas pronto, eu aqui concordo inteiramente com o que o Luís disse. Não me lembro alguma vez de alguém ter apontado o preço da bicicleta como um impedimento de a usar no dia-a-dia. Acho que a questão do IVA é mesmo também uma falsa questão…


(João Almeida) #34

@Aonio_Lourenco

  1. The Netherlands

NATIONAL LEVEL
In the Netherlands, there is currently no national level subsidy
for the purchase of electric bikes. There is a national programme
on congestion reduction (“Beter Benutten”) that had included
subsidies ranging from 100 to 400 € in different provinces during
its first phase, focusing on e-bike commuting to work.

REGIONAL LEVEL
Also several regions in the Netherlands have subsidised the
purchase of e-bikes for commuters previously. For example, the
region of Arnhem-Nijmegen granted a subsidy of 30% of the
purchase price with a maximum of 600 € in 2012. The evaluation
of the project showed that the purchase of an e-bike had
a substantial diminishing effect on car commuting: Whereas all
the commuters used the car for commuting before the project,
only 6 % did so after it finished, with 84 % choosing their new
electric bike instead. A similar project in the region of Twente
showed that 97 % of the new owners of an e-bike were satisfied
or very satisfied with their purchase, and 99 % would recommend
buying an e-bike to their colleagues.


(João Almeida) #35

Sobre esta questão do IVA.

E outro artigo do mesmo autor, só para se perceber mais genericamente o que ele pensa em matéria de impostos.


(Nuno Fernandes) #36

Não tendo resposta para a pergunta fundamental de que se será esta redução do IVA impactante no aumento do nº de viagens diárias de bicicleta, gostaria somente de dizer que acho que o fenómeno da massificação (ou falta dela) da bicicleta como meio de transporte é muito semelhante ao que se passa com os motociclos (falo dos de baixa cilindrada).

Estamos a discutir a distâncias, altimetrias, tempos de deslocamento, mas eu acho que o assunto é mais profundo que isso.

Eu quando falo de mobilidade com pessoas que só utilizam o automóvel, raramente lhes sugiro para pensarem na bicicleta. falo sempre na scotter para não haver aquelas desculpas do costume. Uma 125cc não paga IUC, não necessita carta própria, permite transportar alguma carga e não se chega cansado ou suado ao destino. Incrivelmente a maior parte das pessoas preferem esperar no IC17, IC19, eixo N-S, etc etc dentro do seu automóvel.

Acho que quando entendermos porque a mota não se massifica não vamos conseguir massificar a bicicleta. E atenção, estou muito impressionado com o que de positivo aconteceu em Lisboa com a adesão das pessoas às bicicletas.


(Ana P.) #37

A mota implica maior risco, tem problemas similares com as condições climatéricas, tem reduzida capacidade de transporte de bagagem e passageiros, não dá para levar nos TP nem para dentro de casa quando não se tem garagem, é fisicamente passiva, e acentua o sedentarismo (porque consegue ser ainda mais porta-a-porta), é ruidosa e mais difícil de conduzir na cidade (do que uma bicicleta), e poluente.

A mota, e a bicicleta, não se massificam porque continuamos a incentivar a massificação do carro. De notar que espero que as motas não se massifiquem, criam um ambiente urbano ainda mais difícil de navegar, e perigoso.


(Aónio Eliphis) #38

Não precisas de ir às motos, têm as bicicletas eléctricas. As bicicletas não se massificam devido à infraestrutura e ao paradigma do espaço público. Achas que os portugueses não andariam de bicicleta aqui?

O óbvio, mas por vezes “não se pode dizer isso”, pois é “politicamente incorrecto”! “Nós temos que promover a bicicleta e não atacar os carros”, dizem os iniciantes! Tretas, todos os estudos dizem o contrário.


(Nuno Fernandes) #39

Compreendo, mas sendo os portugueses dos mais aversos a atividade fisica na Europa, a bicicleta (elétrica ou não) é vista sempre com algum preconceito, pelo menos para essa parte da população.
Em relação ao transporte de carga e nº de passageiros não vejo obstáculo na mota uma vez que a maior parte dos automóveis que se vê nas horas de ponta têm 1 passageiro/carro e no dia-a-dia as pessoas não trazem assim tão grandes quantidades de carga. Por exemplo trazer um portátil pode ser “desculpa” para alguns não irem de bicicleta, já de mota essa desculpa não dá.

Penso que as motas (de baixa cilindrada claro) fazem parte da solução e não do problema. Não sei se terá relação ou não, mas cidades espanholas que agora investem fortemente na bicicleta (Madrid Valencia, Barcelona, Sevilha etc etc) sempre tiveram tradicionalmente muitas scooters. Será que isso não tornou mais fácil e unânime o caminho que eles estão a tomar?

@Aonio_Lourenco obviamente que esse é o caminho e o cenário ideal para que as bicicletas se massifiquem. Aliás basta ver o que se está a passar em lisboa, mesmo com pouco infraestrutura e de baixa qualidade as pessoas vão aderindo.
O problema é que nós somos ambiciosos, queremos mais e máis rápido :slight_smile:


(Rui Igreja) #40

A questão é q a utilização do carro continua a ser promovida e incentivada de numerosas maneiras.
Veja-se, e apenas como um dos exemplos, podemos deduzir no IRS as despesas de manutenção do carro, mas não podemos as da bicicleta (se bem q Os Verdes apresentaram uma proposta ao OE2019 de extensão disto às bicicletas … veremos daqui a uns dias a votação na AR).

Se a bicicleta fosse tratada pelas entidades da administração pública de igual modo ao carro, o “level playing field” q a ECF tem vindo a defender, já seria um grande avanço.