Redução do IVA para bicicletas, será desta?


(Three) #41

A única razão para essa dedução existir tem apenas a ver com a elevada fuga ao fisco em oficinas automóveis. Não foi estendido à bicicletas por praticamente não existirem oficinas para bicicletas e possuirem um baixíssimo volume de negócios em comparação.


(Marta) #42

Só para baralhar mais :stuck_out_tongue_winking_eye:, eu tenho 2 filhos no 1° ciclo. A escola fica a qs 2km de casa. O meu trabalho fica a qs 3km, para o lado oposto. Ando bastante de carro, pois levo os 2 filhos à escola, nem me passaria pela cabeça andar com os 2 numa bicicleta. Vou buscá-los à natação, a 4km de casa, noutra direção. E outros sítios. Transportes públicos são para esquecer, caros, mais caros do que andar de carro, contando com 3 passes. Nunca eu deixaria de ter carro, pois os horários que tenho de cumprir para andar com os meus filhos não se coadunam com horários de transporte. Mota, não obrigada, demasiado perigosa, e para mim seria mais um encargo, além do carro. Uso a trotinete para ir e vir do trabalho, acima de tudo por causa do estacionamento, mas qd chove vou de carro. Não uso a trotinete para mais nenhum percurso. Para mim bicicleta ou trotinete para passear não vai acontecer. Não vou às compras de trotinete, tal como não iria de bicicleta, pois seria complicado carregar as compras, que iriam desequilibrar-me. Vejo a bicicleta trotinete como transporte de curta distância, individual, para percursos necessários e com pouca necessidade de bagagem. Para mim não vejo de outra maneira. Até 1 ano atrás trabalhava a 30km de casa, fazia percurso do Tagus Park até Loures, deixando os miúdos a 4km de casa. Daí que fazia os 26km sozinha, mais uma pessoa de carro sozinha, nunca me passaria pela cabeça fazê-los de bicicleta. A mobilidade eléctrica e suave pode fazer sentido para que anda apenas sozinho e percursos pequenos urbanos, e planos!!! Haverão muitos assim, mas muitos também que não estão nestas condições. Não é à toa que nas férias escolares há muitos menos carros, sinal que quando não tem de transportar crianças, muitos condutores vão de outras alternativas para o trabalho.


(Rui Igreja) #43

Pois, o carro é em muitos aspectos uma óptima opção individual de mobilidade: permite-nos viajar abrigados das intempéries, fazer longas distâncias, levar 5 pessoas, é cómodo, se mais ninguém usasse o carro seria seguro, etc.
Mas é uma péssima opção colectiva: usurpa o valioso espaço público, retira espaço às pessoas nas cidades, tem enormes custos para o Estado, causa congestionamentos q nos retiram tempo útil, prejudica a qualidade do ar e contribui para a poluição atmosférica e aquecimento global, mata cada ano cerca de 600 pessoas e fere gravemente milhares em Portugal, etc.

Por isso, como sociedade, devemos dar prioridade a modos de transporte mais benéficos para todos e retirar privilégios e até dificultar a utilização do automóvel.
E é disto q falamos quando falamos de mobilidade sustentável. De soluções de mobilidade que sejam mais benéficas para todos, e não da melhor solução para cada um sem ter em conta o impacto que tem nos outros.


(Pedro Sanches) #44

Se percebi bem, o percurso diário matinal casa-escola-trabalho então são 7km, é isso?

Não me parece que seja impossível fazê-lo de bicicleta, mesmo com duas crianças. Qual é a maior dificuldade que notas para não considerares esta opção? Não há ciclovias? As estradas são perigosas?

No meu caso, de manhã, faço 15 km no trajecto casa-escola-trabalho. Demoro 45 min e cerca de metade do caminho não tem ciclovias. Tenho um desnível positivo de +270m para subir todos os dias e encontrei uma solução que me permite não usar o carro e transportar a minha filha e ainda algumas (muitas) compras:

Não digo que seja a solução para toda a gente, mas por vezes temos que sair da zona de conforto e adaptarmos o nosso dia-a-dia. Espero que sirva de inspiração para uma possível mudança de hábitos. :slight_smile:


(Three) #45

Desde que o facho introduziu este jargão que não se fartam do o utilizar … :stuck_out_tongue:


(Pedro Sanches) #46

Eu podia muito bem optar por continuar a usar o carro nas minhas deslocações diárias. Ligava o AC para os 25ºC, demorava 10 minutos a chegar à escola da miúda, mais 25 minutos para chegar ao trabalho, tinha estacionamento à borla e não me chateava. Mas não. Saio do conforto dos estofos e da Smooth FM, deixo o carro em casa, e uso a bicicleta, demoro praticamente o mesmo tempo, apanho frio, chuva, calor e vento na cara, a miúda não reclama o caminho todo por ir no carro, apanha ar puro e ainda consigo estacionar a bicicleta e o atrelado em local seguro => sair da zona de conforto.


(Marta) #47

Pois os meus filhos têm já 8 e 9 anos. :wink: Já não dá para irem numa “coisa” dessas.
A grande parte do percurso é por estrada de 2 sentidos, com a faixa de rodagem estreita, o que potencia a ultrapassagem sem a distancia de segurança: não há espaço na faixa e no outro sentido tb há movimento, impedindo a ultrapassagem imediata logo que se aproximam duma bicicleta/trotinete. Já agora, os passeios são por vezes estreitos e de vez em quando há um carro ou outro estacionado com 2 rodas no passeio e 2 na via (que já é tão larga…).
Aqui só há ciclovia entre 2 polos do IPL, fora do meu percurso.
Mas lá está, eu não deixaria de ter um carro, mesmo se fosse todos os dias para o trabalho de trotinete ou de bicicleta. Se não tivesse carro a minha vida social estaria francamente comprometida, simplesmente não concebo, ao fim de semana então, seria surreal.
Aliás! Fala-se, e bem, do aumento exponencial de veículos automóveis nas últimas décadas. É bem verdade. Mas com a “democratização” do automóvel veio também a qualidade de vida. Eu explico o meu ponto de vista: A minha infância foi vivida em Lisboa, onde havia muitos transportes. Diariamente a minha mãe ia trabalhar (professora) quase a 7km de casa de transportes. Tudo em Lisboa, andávamos de transportes durante a semana e para quase tudo que era na cidade. Ao fim de semana, para visitas/encontros, viagens, fosse onde fosse, era de carro, por isso tínhamos carro! Se não tivéssemos, ficaríamos francamente com uma vida social reduzidíssima. Os meus avós, maternos e paternos, não tinham carro. Andavam a pé, carroça de burro (paternos), bicicleta ou mota (maternos). Parece-me óbvio que não viajavam, para lado nenhum. Nem passeavam! Não iam todos de bicicleta passear… Nem quando estava sol, nem quando estava frio e chuva. A vida era trabalho. Eram os filhos, já com carro, que os visitavam. Só saiam das aldeias basicamente para ir a algum médico. E assim erra a vida com uma qualidade do ar fantástica, espaço urbano para as pessoas e tudo e tudo. Agora as pessoas não querem regredir à vida de lazer. Faça sol ou faça chuva as pessoas querem passear, e não querem estar sujeitas ao mau tempo para isso. Nem tão pouco a horários de transportes públicos! “Ah, tenho de ir embora, o jantar estava ótimo, mas o metro fecha à 1h e temos de o apanhar para regressar a casa…” Por isso têm carros. E isto não terá retrocesso.
É por tudo isto que não entendo o “ódio” aos automóveis. haverá momentos para eles e momentos para bicicletas e trotinetes. E os organismos públicos terão uma função de regular isto sim, mas nas grandes urbes. Nas outras (95% do país) nem por isso, pois as alternativas são muito escassas.


(Marta) #48

Olhe, cada um com as suas opções. Eu, no seu lugar, ia de carro. :wink:
Só uso a trotinete exatamente por ter estacionamento de automóvel “longe”. E mesmo assim ainda não andei “à chuva”, acima de tudo por ser perigoso, a circulação de trotinete em piso molhado.


(Nuno Fernandes) #49

Penso que nos dá um bom exemplo do que é o utilizador diário do automóvel.

Os seus filhos desenvolvem a sua rotina diária num raio de 6km. Mesmo quando eles forem mais velhinhos, a senhora não os deixará fazer esses trajetos por outro meio que não o automóvel (bicicleta, trotinete ou a pé).
E muito provavelmente a senhora está correta. A percepção (e a realidade) é que o meio urbano não é seguro. Temos carros em excesso, velocidades altíssimas, estacionamento anárquico, passeios exíguos.
Por isso a senhora faz o mesmo que todos os outros fazem: desloca-os de automóvel e vai continuar a fazê-lo.

A pergunta é, estamos confortáveis com este estado de coisas ou queremos mudar esta realidade? O que seria exequível seguindo os bons exemplos de outros países.


(João Almeida) #50

Eu não afirmava isso com tanta certeza.

But by and large the consensus is the same: We are on track for four degrees of warming, more than twice as much as most scientists believe is possible to endure without inflicting climate suffering on hundreds of millions or threatening at least parts of the social and political infrastructure we call, grandly, “civilization.” The only thing that changed, this week, is that the scientists, finally, have hit the panic button.


(Marta) #51

Pois terei para o ano “um dilema”. O meu mais velho vai para uma EB2/3, a 1000m de casa. O percurso é essencialmente “local”, óptimo para circular a pé e vejo alguns miúdos a fazê-lo. A escolha da compra de casa foi muito condicionada por esta proximidade (da Escola EB 2/3, nas idades em que eles já podem (e devem) andar sozinhos a pé ou de transportes, tal como eu andei) pois eu desejava que eles, tal como aconteceu comigo, fossem para a escola a pé. Eu própria faço este percurso diariamente, de trotinete, seguindo para o meu trabalho. Vejo alguns miúdos a pé. O meu filho, já habituado a andar por aqui no bairro de bicicleta, em lazer, sozinho (com o irmão), diz que quer ir de bicicleta para a escola. para lá chegar tem, já no final, de atravessar uma estrada com algum movimento. Tem passadeiras em lomba, mas tenho medo de o deixar ir de bicicleta para lá. Eu acho que ele deve ir, mas tenho medo dos carros a grande velocidade. Claro que para outros percursos para o centro da cidade não! Nem pensar, é muito perigoso.


(Marta) #52

O retrocesso que falo é o das pessoas privarem-se de passeios, viagens de lazer. E estas fazem-se muito de automóvel, com a família toda, o que faz com que naturalmente quase todas as famílias ambicionem ter um automóvel.


(João Almeida) #53

Pois e o que eu estou a dizer é que provavelmente pelo facto de as pessoas não se privarem agora, vão ser privadas de muito mais coisas no futuro. E não vão ser só passeios e viagens de lazer.


(Nuno Fernandes) #54

É precisamente esse medo que nos devia fazer agir. Faz sentido ser perigoso??
Portugal é dos países mais seguros do mundo e os pais têm medo que um adolescente faça um trajeto de bicicleta. Isto faz sentido?
Infelizmente faz tendo em conta a nossa realidade e o nosso grau de viciação no automóvel.
Choca-me que os que lutam para modificar esta realidade sejam chamados de fundamentalistas.

@jmpa vivemos um momento histórico e a inação geral está para além da minha compreensão. Deverá ser um fenómeno psicológico penso, só pode. Por exemplo, então sabendo-se as consequências de fumar as pessoas não só fumam como fumam dentro de carros com os filhos lá dentro, porque haveriam de se preocupar com o clima?

A nossa espécie tem tanto de brilhante como de negativo.


(Three) #55

Já parece o pregador do apocalipse.

Portanto o turismo é um perversão demoníaca que deve ser banida!
Deveremos todos viver em clausura minimalista num voto de pobreza Franciscana, à semelhança da idade das trevas?
Tenta convencer os Asiáticos a aderir a essa filosofia.
Mesmo que a Europa reduza as suas emissões para zero, amanhã, os asiáticos vão lixar tudo de qualquer forma, portanto porque tenho de me autoflagelar ?


(Pedro Sanches) #56

Bom, esta é uma solução. Outras haverão para miúdos mais velhos.

De resto, pelo que conta, posso concluir que o que a faz não abdicar do carro na sua rotina diária semanal é a sensação de falta de segurança? Se houvesse infraestrutura segregada e segura entre os vários pontos (casa, escola, trabalho) consideraria a utilização da bicicleta e deixaria os seus filhos irem a pé para a escola?

Eu entendo perfeitamente a sua realidade. Eu também tenho carro e ainda não consigo abdicar dele. Ao fim-de-semana, por exemplo, é o meio de transporte que utilizo porque faço distâncias maiores entre vários pontos da Área Metropolitana de Lisboa e, por vezes, para outros pontos do país. Concordo que os transportes colectivos ainda estão longe de serem eficazes.

Mas é também por estas razões que existe a MUBi. Entre outras coisas, tentamos lutar e fazer lobby para que se criem condições para as pessoas poderem abdicar do seu carro particular nas rotinas diárias e passem a ponderar outras formas de deslocação mais sustentáveis, não só para elas, mas para os outros. Seja isto pela criação de ciclovias, por incentivos fiscais à aquisição de bicicletas, por medidas de acalmia de tráfego eficazes, por alterações à legislação. Creio que já não será no nosso tempo de vida, mas os nossos filhos, netos e bisnetos vão certamente sofrer as consequências das nossas escolhas actuais. Não se trata de demonizar o carro, mas quer queiramos, quer não, se todos nós optarmos por o usar todos os dias, tendo alternativas melhores disponíveis, estamos a condenar-nos e às gerações futuras.


(Marta) #57

Sim, a insegurança do percurso é o fator chave, logo seguido pelos dias de chuva, que têm sido muito poucos até!
Mas, acho muito pouco provável que essa infraestrutura se torne realidade pois apesar de estar em meio urbano, não vivo no “centro urbano” e ainda circulo por vias “Nacionais” assim https://goo.gl/maps/4vSGfKUu2vQ2 onde só vejo uma solução para a instalação dessas infraestruturas: torná-la via de sentido único com 1 faixa de rodagem para automóveis. E onde seria a outra via para fazer o percurso inverso? E quem tomaria essa decisão político-estratégica? Ui!!


(Aónio Eliphis) #58

@martassm

A infraestrutura em Portugal, no cômputo geral, é simplesmente inimiga da mobilidade em bicicleta. Eu ando apenas de bicicleta na Holanda, mas em Portugal também ando, mas menos. Uso mais em Portugal os transportes públicos, comboio, uber, táxi ou eCooltra.

Não te censuro, mas acredita que por aqui isto “é o prato do dia”


(José Miguel Ramos Modesto) #59

“Se o colega do lado faz pouco, então também não sou eu que vou fazer grande coisa”. O reflexo de como nós em geral, tugas, gostamos de trabalhar para cumprir os objectivos e andar para a frente… A grande preocupação é em não sermos o idiota que faz muito quando os outros fazem pouco. Bonito.


(Marta) #60

Bem, mas na Holanda as ruas são mais planas. Tentei imaginar os percursos que faço habitualmente com os meus filhos, de carro, e, mesmo que tivesse via segregada dos automóveis, prevejo uma percentagem muito significativa do percurso a ser feito a pé, por se inclinado e eu não teria estofo para o subir a pedal! LOL OS nossos desníveis são também um obstáculo…