Multas a peões e ciclistas


(Luís L Belard) #41

16 dias e 39 comentários depois, qual é afinal a conclusão a que se chega sobre as multas a peões e ciclistas?
Justo? Injusto?
Ajudámos o Henrique Azevedo a esclarecer a questão que colocou?
Se o contributo dos participantes ao fim deste tempo nem sequer permite tirar uma ilação sobre essa (real? hipotética?) acção policial, talvez então seja melhor aplicar o tempo e energia argumentativa de forma mais útil à questão da mobilidade, que é afinal o objectivo principal desta associação.


(Three) #42

Parece-me evidente que um espaço partilhado tem de se reger por regras. Se os utilizadores não respeitarem essas regras devem ser punidos, sejam condutores de automóveis, de bicicletas, motociclos ou peões. Não podem existir regimes de excepção pois isso gera comportamentos abusivos.
E se formos analisar as melhores práticas em diversos países existem de facto multas efectivas para peões.


(Rui Fonseca) #43

Melhores práticas segundo que métrica? Exemplos?

A questão de multar peões e ciclistas está mais no facto de que as regras atuais são erradas.

Por exemplo, no Reino Unido ninguém é multado por atravessar fora da passadeira, simplesmente porque não vai contra nenhuma regra! Isto é que significa partilhar um espaço. Punir as pessoas por atravessarem a rua fora dos locais designados não é partilhar, é querer expulsar o peão que é visto como um empecilho para os carros.

Sou contra multar-se peões e ciclistas porque muitas das regras não fazem sentido e gastar recursos a fiscalizar peões e ciclistas significa ter menos recursos para fiscalizar os carros. É uma estratégia que resulta em mais feridos e mortos.


(Three) #44

Alemanha, Finlãndia. És multado se atravessares fora da passadeira ou com semáforo para peões vermelho. E no entanto existe uma convivência pacífica entre todos.

Erradas segundo a tua opinião. O problema deste país é cada um criar as suas regras e cagar para os outros. A tua ideia de partilhar espaço cai no domínio da anarquia selvagem!

Lá vem o discurso fundamentalista reaccionário e do peão vítima! Também podes argumentar porque não podes atravessar a linha férrea fora das passagens autorizadas, “afinal querem expulsar os peões da via férrea” ? A questão é que foram criadas vias adequadas a cada tipo de veículo, que na ausência destes nunca existiriam, e actualmente surgiu um movimento que quer reivindicar tudo para os peões!

Num país como o nosso onde a população em geral parece saída da idade da pedra e onde ninguém segue regras o resultado será exactamente esse, mais feridos e mortos precisamente porque ninguém respeita ninguém, sejam peões ou condutores.


(Rui Fonseca) #45

O peão é de facto o elemento mais fraco.

Meter a lei a culpar o peão em nada abona a favor da segurança rodoviária. As multas têm pouco efeito nos peões porque estes já têm um efeito dissuasor muito mais potente do que as multas: a sua vida.

Colocar a responsabilidade do lado dos peões é tirar responsabilidade aos automobilistas, que são os que mais precisam de incentivo para não pôr em risco a vida dos peões.

USA: 1,9 peões mortos por 100 000 habitantes.
Finlândia: 0,84 peões mortos por 100 000 habitantes.
Alemanha: 0,73 peões mortos por 100 000 habitantes.
Reino Unido: 0,71 peões mortos por 100 000 habitantes. (legal atravessar fora das passadeiras)

É tramado quando a realidade contraria a ideologia.

Já agora, em Portugal o valor foi de 0,92 em 2017 e 4,8 em 1996.

Esta diminuição não aconteceu porque se passou a multar peões que atravessam fora da passadeira.
Aliás, a ideia de que andar a multar peões que atravessam fora da passadeira tem algum impacto relevante neste número é absurda. Ainda mais quando 40% dos atropelamentos ocorrem nas passadeiras / com sinal verde para peões.


(Three) #46

Tenho dúvidas. Quantos insistem em atravessar a linha férrea apesar das barreiras físicas?

Errado, não existe aqui nenhuma transferência de responsabilidades mas apenas uma consciencialização de que existem regras que devem ser cumpridas para o bem de todos.

Tretas, a diferença no UK é que em vez de irem pela penalização optaram pelas barreiras físicas que impedem que peões se exponham a situações de perigo.


(Rui Fonseca) #47

Confirmation bias é forte desse lado.


(José Miguel Ramos Modesto) #48

Alguns dos países com menor taxa de sinistralidade nas estradas têm leis que assumem a culpa por parte do meio mais pesado, até prova em contrário. É o conceito de Responsabilidade Objectiva. Os portadores por inerência de maior risco, são mais responsáveis.


(Three) #49

Culpado por defeito mesmo que esteja estacionado! Tem de provar inocência ?!?!? Mas voltamos à idade média? Deve ser algum país comuna! Onde está o nexo dessa lei idiota ?

""Ciclista atravessa-se frente a pesado violando traço contínuo. Culpa é do condutor do pesado que não tinha nada que circular ali quando o ciclista quis atravessar ! "

E se for entre dois ciclistas? O gordo é o culpado ?

Deverei deduzir que quem tiver uma bicicleta de carbono nunca será culpado de nenhum acidente mesmo que os provoque ?

Hilariante! :rofl:


(Rui Fonseca) #50

Imagina que a polícia chega a um determinado local onde está uma pessoa morta com um disparo de pistola efetuado por ti. Vais ter de explicar porque é que mataste aquela pessoa, caso contrário é homicídio.

Porque é que haveria de ser diferente se em vez de teres matado alguém com uma pistola tiveres matado com um automóvel?

O automóvel é que mata e é o condutor que controla o automóvel. Para prevenir mortes, é muito mais eficaz responsabilizar quem controla aquilo que pode matar, do que responsabilizar as vítimas. A lógica deverá ser:

  • Não dispares a arma sem garantias de que não vais matar ninguém.

E não:

  • Não te coloques à frente do disparo da arma, senão és multado!

Além de menos eficaz a prevenir mortes do que responsabilizar quem realmente controla a arma, a multa é completamente redundante porque as pessoas já evitam estar à frente do disparo de uma arma simplesmente porque não querem morrer.

Infelizmente a lógica atual é mesmo “saiam da frente das armas”, para as pessoas poderem disparar as armas à vontade e quem estiver à frente é que é o culpado. Isto é uma analogia, claro.


(José Miguel Ramos Modesto) #51

Não, não são países comunistas. Muito pelo contrário…

Esse exemplo rebuscado, como deves calcular, será fácil de provar culpa da bicicleta, já que muito provavelmente o camião deixaria marcas de travagem num local bem longe do lado direito da faixa de rodagem. Se for pertinho do lado direito… é que provavelmente será complicado para o lado dele. Mas pronto…há conceitos que nas mentalidades portuguesas fazem alguma confusão, ainda que comuns em países mais desenvolvidos.


(Three) #52

Por uma razão muito simples:

  • Uma arma foi construída para matar e apenas isso e contudo existe licença de porte de arma e pode ser usada em legítima defesa.

  • Um automóvel foi construído para transportar pessoas e bens. A lei obriga à subscrição de um seguro de responsabilidade civil exactamente para cobrir situações excepcionais decorrentes da utilização desse veículo.

Por isso são situações em nada comparáveis !

Mas se quiseres ir por aí então deves incluir na categoria de armas praticamente tudo o que foi inventados pelos humanos, incluindo as pernas de presunto, os carrinhos de bebé e até os lápis de carvão.

Se todas as utilizações acidentais de todos os objectos são crime então volta para a selva, come bananas, e pendura-te nas árvores. Se uma serpente te picar também a podes culpar ainda que tal não te sirva de nada.

O princípio da Presunção da Inocência faz parte da Constituição de qualquer estado de direito.

Presunção de culpa é aplicada em países ditatoriais como a China.

Vens para aqui defender regimes autoritários ???

Um analogia imbecil, claro!


(Three) #53

Sabes o que é um país comunista? Como é o dia a dia da vida quotidiana num país comunista? Acho que não!


(José Miguel Ramos Modesto) #54

Mas insistes nesse ponto porquê? Há países comunistas no centro e norte da Europa?


(Luís L Belard) #55

Parece que a fiscalização do trânsito está activa e não se fica pelos peões e ciclistas:
“O ano passado, segundo dados do Relatório Anual de Segurança Interna, 47.690 condutores viram ser-lhes retirados pontos da carta de condução.
Nas mais de um milhão de infracções sancionadas em 2018, a esmagadora maioria, cerca de 800 mil, eram leves. No entanto, foram as graves (quase mais 600%) e as muito graves (273%) que mais cresceram face ao ano anterior, as primeiras passaram de 29.703 para 206.759 e as segundas de 7.293 para 27.199.
O Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO) registou o ano passado quase 291.700 infracções, 139 mil das quais graves e cinco mil muito graves”.
in Público 30 Março 2019


(Three) #56

Não, mas com tantos defensores de medidas tipicamente comunistas, não estamos longe


(João Almeida) #57

Sim, os ideais comunistas estão definitivamente em alta neste momento.

https://www.ft.com/content/c7bbaf00-4bb9-11e9-bbc9-6917dce3dc62

@Aonio_Lourenco o que se passa aí na Holanda?


(Three) #58

No que toca ao controlo das liberdades individuais, sem dúvida alguma!


(José Miguel Ramos Modesto) #59

Oh génio, então, a tua liberdade de me atirares com fumo sobrepõe-se à minha de não querer levar com o teu fumo? Já se percebeu que a única liberdade boa aqui é a tua… no matter what. Sai do carro e vê o Mundo de fora da lata! :face_vomiting:


(Three) #60

Desde quando emito fumo? Comentário idiota! Devias era lutar para eliminar taxis e autocarros “centenários”, esses sim geram fumo, mas como são lisboetas não interessa!

Lata tens tu no lugar dos miolos. A betada lisboeta continua a olhar apenas para umbigo apesar de canibalizar o resto do país para garantir o seu bem estar! Agora até os TPs são financiados por quem nunca vai usar os TPs em Lisboa e depois fala em liberdade.